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Romeiros
Fé na romaria de Castores
Onda Verde, 7 de agosto de 2008
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Guilherme Baffi
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Helena Ferreira caminha até o vilarejo para cumprir promessa feita pela mãe |
Raul Marques
04:15 - A mecânica Helena Ferreira, 26 anos, tem compromisso inadiável todo dia 5 de agosto: vai e volta a pé do bairro em que mora, o Nato Vetorazzo, em Rio Preto, até o santuário de Bom Jesus dos Castores, em Onda Verde. São quase 40 quilometros entre ida e volta. A exemplo dela, muito romeiros caminharam até o Santuário entre terça-feira e ontem. A demonstração de fé de Helena se explica. Há três anos, ela caiu, sofreu lesão da coluna e foi avisada que seriam amputados 30 centímetros de cada perna. No hospital, soube que a mãe iria ao vilarejo de Castores fazer uma promessa para ela melhorar e não necessitar das operações. Helena só não sabia que teria de pagar a promessa. Mas não reclama. “Uma semana depois, voltei a andar.” A melhora é visível. Helena tem disposição para fazer o trajeto inteiro a pé. Ontem, mais uma vez cumpriu o ritual. Acordou às 4 horas, tomou um café e começou a caminhada. Ela pretendia chegar a Onda Verde apenas às 10h. Depois da missa, voltaria para casa. Gastou 12 horas para pagar a promessa. “Faço o caminho rezando e sorrindo.”
Hoje, ela afirma que estará tão cansada que não terá forças para trabalhar. O patrão entende. Ele é devoto de Bom Jesus e autoriza Helena, que trabalha na montagem de motores automobilísticos, a folgar dois dias, sem problema. “Vou fazer isso até o final da minha vida,” afirma Helena. Muitos dos romeiros foram a pé para Castores. Caminharam na margem da rodovia Transbrasiliana (BR-153), como manda a tradição. A partir de Rio Preto, são 17 quilômetros. Muita gente começou a fazer o trajeto no final da tarde de terça-feira, com objetivo de chegar para a Missa da Peregrinação dos Jovens, celebrada pelo bispo da Diocese de Rio Preto, Dom Paulo Mendes Peixoto, e que abriu as comemorações ao dia de Bom Jesus. Vários romeiros preferiram sair de casa nas primeiras horas da quarta, antes do sol ficar muito quente.
As amigas Vânia Gonçalves, 45 anos, Silvia Paladino, 34, e as irmãs Soraya Barroso Silva, 42, e Renata Sanches Godoy, todas de Rio Preto, madrugaram para fazer a peregrinação. Vânia é a veterana do grupo. Há 25 anos, faz o trajeto não só para agradecer, mas também para sair um pouco da correria do dia-a-dia e, assim, ter tempo para refletir. Só falhou no compromisso uma vez, quando estava grávida. Ela já fez uma promessa a Bom Jesus para, como a maioria dos romeiros, para a melhora do estado de um saúde de um parente. No caso, a mãe. As irmãs Renata e Soraya já fizeram uma promessa em conjunto para o pai, que foi desenganado pelos médicos e hoje, aos 69 anos, está muito bem. Agora, se uniram novamente para solicitar que o filho de Renata se recupere de um problema de saúde.
| Guilherme Baffi
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O santuário do Bom Jesus dos Castores ficou lotado durante as onze missas
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Orações, promessas e pedidos de proteção Durante todo o dia de ontem, cerca de 40 mil pessoas passaram pelo vilarejo de Castores, em Onda Verde, para pagar promessas, fazer novos pedidos ou apenas rezar e pedir proteção para familiares, amigos e pessoas queridas. As 11 missas que foram realizadas ficaram lotadas, segundo a organização. Era tanta gente que o santuário, por vezes, ficava sem espaço para receber os devotos. Os romeiros chegavam, sozinhos ou em grupos, assistiam a uma das missas, realizadas quase que de hora em hora, e depois relaxavam. O vilarejo onde fica o santuário é arborizado e repleto de bancos de cimento. Era só escolher a sombra, sentar em baixo de uma árvore e ficar reflexivo, tranqüilo, sem pressa para ir embora. Outra opção era comer na praça de alimentação. Além do santuário, os fiéis passavam pela sala de milagres, um espaço para pagar promessas. Muletas, imagens de santos da Igreja Católica, caixas de remédios, réplicas de cabeças, pernas e órgãos do corpo humano e milhares de fotografias são deixadas no espaço.
Do lado de fora da sala, fica o cruzeiro. As pessoas chegam e acendem velas. São tantas que uma grande fumaça se forma. Muitas dos romeiros se emocionam. A doméstica Roseane Moura, 37 anos, acompanhada da irmã, Gislaine, colocou duas velas ao pé da grande cruz. Todo ano ela faz a mesma coisa. Em 2008, o gesto é diferente. Ela tem um grave problema de saúde e acredita que a fé em Bom Jesus poderá ajudá-la. “Tenho de acreditar.” Esta é a quarta geração da família a freqüentar o vilarejo de Castores. A festa em louvor ao Bom Jesus dos Castores é realizada há 99 anos. Desde 1909, milhares de romeiros tiram parte do dia para rezar e agradecer graças alcançadas.
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