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Desenvolvimento da resiliência
O poder da superação
São José do Rio Preto, 11 de outubro de 2009
  Banco de Imagem  

Francine Moreno

00:38 - Está comprovado cientificamente que as emoções dolorosas fazem parte de um complexo sistema neurológico desenvolvido para tornar-nos aptos à sobrevivência. Uma investigação da Universidade de Purdue, divulgado em setembro na revista especializada Psychological Science, encontrou um elo entre grandes tristezas e a superação. A pesquisa tornou evidente que lembranças de experiências emocionais dolorosas fazem feridas maiores do que a memória da dor física. A boa notícia, no entanto, é que grandes mágoas podem ser vencidas. O psicólogo clínico e doutor em neurociências e comportamento Julio Peres, autor da obra “Traumas Psicológicos: Tratamentos e Superação”, pela editora Roca, afirma que a superação está diretamente ligada ao conceito de resiliência, termo que vem da física e refere-se à capacidade que um corpo tem de sofrer uma deformação pela ação de um agente externo e voltar à sua forma natural. “Imagine um soco que é dado com força total em um travesseiro, o qual, após um breve tempo, readquire a sua forma original. Assim também, quando um indivíduo se depara com um evento estressor, sente o seu grande impacto, mas não vem a desenvolver sintomas crônicos, significa que ele possui resiliência.”

O fator determinante para o desenvolvimento da resiliência está na maneira como os indivíduos percebem e processam a experiência dolorosa. O processo de superação envolve flexibilidade, otimismo, ousadia, autoestima e autoconfiança para dar um novo significado ao que ocorreu em favor do crescimento humano. “A resiliência não é um estado específico, mas uma qualidade dinâmica de autorrenovação, diretamente ligada aos princípios naturais da vida. Todos temos a possibilidade da autorrenovação e podemos sim, a aprender os caminhos da superação por meio do desenvolvimento de habilidades adaptativas ao enfrentamento. Onde há uma vontade, haverá um caminho para a resiliência.” Peres indica alguns procedimentos para um recomeço. “O primeiro passo é ver os problemas como oportunidades de crescimento. O segundo, envolve a autoproposição de um objetivo desafiador. O terceiro é trilhar o caminho com o foco no novo objetivo”, explica.

Wagner Luiz Marques, doutor em ciências da educação e autor de “O Poder da Superação”, pela Gráfica e Editora Bacon, afirma que a dor emocional proporciona experiência e faz com que as pessoas aprendam mais, e assim tornem-se confiantes na execução dos fatos, proporcionando perseverança, dedicação e capacidade para executar as funções com muita qualidade, porque a dor emocional amadurece muito mais o ser humano. O presidente Luis Inácio Lula da Silva serve de exemplo. “Ele superou as suas dificuldades e hoje é uma referência mundial, porque soube conduzir a sua dificuldade para o seu bem e o bem de uma coletividade geral. Não estou falando desta pessoa como político, mas sim como pessoa que superou as dificuldades e foi perseverante naquilo que sempre quis.” A religião funciona como um apoio importante para a cura das dores emocionais, pois prega amor, fraternidade, união, conscientização, a moral em si e a ética do ser humano, que segundo Wagner Luiz Marques são ações que servem como apoio para analisarmos o conceito de superação.

E havendo um local que relaciona tudo ao mesmo tempo, proporciona a conscientização e a pregação do aceitar a dor emocional, facilita a tentativa de superá-la. Isso é uma forma de condução de melhora do ser humano. Segundo o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, supervisor aposentando do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, o tratamento médico pode ser fundamental. É importante que a pessoa que passa por uma experiência traumática e apresente sintomas de sofrimento psicológico procure uma ajuda médica. “O tratamento mais indicado nos casos de dores emocionais é basicamente a psicoterapia, de forma a ajudar a pessoa a elaborar a experiência vivida, desvinculando-a dos outros pequenos “traumas da vida cotidiana” e desfazendo crenças disfuncionais originadas com o trauma, do tipo “por que comigo?”

Medicamentos só devem ser empregados quando a terapia sozinha não dá resultado. De acorco com Wagner Luiz Marques, devemos tentar tudo o que for possível naturalmente. O indicado é mostrar o caminho que leva as pessoas a confiarem no seu potencial, lendo bons livros, conversando com pessoas que levam ao bom astral, caminhar, frequentar academias, praticar esportes, aquilo que lhe faz bem. “O ser humano precisa estar bem consigo mesmo, acontecendo isso não necessitará de medicamentos para superar os seus problemas. É preciso lutar sempre para ser o que é, fugir das drogas, do fumo, do vício em geral, tudo o que é demais não faz bem. Não basta apenas querer, mas sim procurar um caminho para atingir o sucesso. A vida é uma sequência de acontecimentos, basta analisá-los e executar o mais correto as ações, porque a reação pode ser boa como também ruim. A felicidade está nas mãos dos próprios seres humanos, que devem refletir e praticar o bem para sempre colher o bem. Vitória é uma palavra que deve estar constantemente em nosso dicionário. Não desista.”

A coragem pode ser aprendida e cultivada

Os sentimentos negativos podem mudar completamente a vida de alguém, além de resultar em respostas no corpo. O psiquismo é a principal “fábrica” de neuromediadores que podem promover a saúde assim como o sofrimento. Os diálogos internos de autopiedade, desamparo, autoviti-mização e autodepreciação podem realçar as emoções negativas e exacerbar o sofrimento psicológico, que comumente é somatizado em dores e limitações físicas. Desta forma, o pensamento negativo, de acordo com Wagner Luiz Marques, doutor em ciências da educação e autor do livro “O Poder da Superação” pela Gráfica e Editora Bacon, leva a perder tudo, até mesmo a saúde. “A depressão, mal que aflige o século, é uma consequência na sua maioria de pessoas negativas, tudo o que pensam são imaginações que vão acontecer de errado para si e para o próximo. Isso se transforma em fator de acontecimentos reais contra a própria pessoa. O pensar negativo é de pessoas que não têm fé, não acreditam no seu próprio eu. Na realidade são pessoas que não se motivam a superar os seus obstáculos”.

De acordo com o psicólogo clínico e doutor em neurociências e comportamento, Julio Peres, autor do livro “Traumas psicológicos: tratamentos e superação”, editora Roca, as pessoas podem aprender a desenvolver diálogos internos de enfrentamento, procurando modificar o presente positivamente para superar grandes tristezas. A psicoterapia aplicada às vítimas de traumas psicológicos objetiva não só remover a sensação de vulnerabilidade/desamparo como também reconstruir as crenças básicas adquiridas na experiência traumática. “Como resultado, os pacientes conseguem se desconectar de um sofrimento passado e deixam de interpretar alguns ou vários estímulos como um retorno ao trauma, identificando-se e respondendo adaptativamente ao presente.”

Peres ressalta que o diálogo entre o medo e a coragem está também associado à superação. A coragem pode ser aprendida e cultivada na psicoterapia a partir do controle gradativo das variáveis temerosas, do conhecimento real das motivações pessoais e do porque enfrentar a adversidade. Coragem tem em sua etimologia o significado “ato do coração”. “Este conceito pode ser relacionado a várias expressões como: convicção e direcionamento da energia para fazer o certo, força moral ante o perigo, poder para resolução, ânimo, bravura, firmeza, intrepidez, ousadia, constância, perseverança, desembaraço e franqueza.”




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