04:24 - Há milênios os orientais ensinam a importância de dinamizar e equilibrar o fluxo de energia para manter a vida e os relacionamentos saudáveis. No entanto, ainda hoje, são poucos os ocidentais que seguem essas recomendações. Para a terapeuta holística e psicóloga Cláudya Toledo, mestre em Yoga Tantra Cristal pela linhagem russa, enquanto as pessoas não entenderem como funciona o fluxo de energia dos chacras não vão conseguir ser felizes, principalmente no amor. Ela afirma que é imprescindível desenvolver autoconhecimento, cuidar do físico, acalmar a mente e manter a espiritualidade para alcançar o amor incondicional. “O Universo é sábio e a natureza perfeita, basta segui-los para perceber como o restante segue bem.”
Cláudya diz, por exemplo, que uma das principais reclamações das mulheres modernas se relaciona à falta de homens fortes, prósperos e inteligentes. “A ‘culpa’ é das próprias mulheres que mudaram comportamentos ancestrais, que conseqüentemente transformou os homens. O corpo físico traz o ensinamento: o homem é o mais forte. A compleição física é essa e nada mudou. Deus fez isso. No dia em que homens e mulheres compreenderem essas diferenças serão, de fato, felizes.”Cláudya ressalta que a energia está sempre em movimento e flui de acordo com o momento. Ao conhecer como vibram as próprias energias é possível identificar como atrair a energia que vibra no outro. Assim, ela esclarece que não é possível identificar amor no outro se não houver amor em si. Saiba mais na entrevista a seguir.
Bem-Estar - O que é energia amorosa? Ela está relacionada a esse fluxo de energias a que se refere? Como funciona?
Cláudya - Temos sete centros de energia localizados no corpo, são os chacras. São sete tipos de conexão que se pode ter com uma pessoa. A energia amorosa é a quarta e para chegar nela é preciso entender e resolver as anteriores. Para alcançar o chacra da energia emocional, a amorosa, é preciso começar no primeiro chacra que é o Muladhara (energia física), seguido pelo Swadisthana (energia sexual) e Manipura (energia financeira) para depois alcançar o chacra Anahata (energia amorosa). Só assim é possível amar.
Bem-Estar - Pode explicar melhor como isso funciona?
Cláudya - A primeira coisa que a gente desenvolve na vida é o corpo físico. Depois, por volta dos 13 ou 14 anos de idade, ganhamos energia sexual, desenvolvemos a auto-estima, para em seguida aprendermos a nos auto-sustentar e somente a partir daí podemos alcançar o amor incondicional. Por que não existe uma energia sem a outra. É por isso que existe sexo sem amor, porque o sexo vem antes do amor, a energia do sexo é animal, é física; o amor ao qual me refiro é o incondicional. O amor é um aprendizado.
Bem-Estar - O que fazer para aprender esse amor incondicional? É possível que ele exista entre os casais?
Cláudya - Esse amor incondicional é o amor dos grandes mestres. Nos relacionamentos a energia é a de Swadisthana, a sexual ou de relacionamento. Funciona assim: primeiro você conhece uma pessoa e passa a se relacionar com ela fisicamente (Muladhara) - você gosta da pessoa e da companhia física dela. Em seguida poderá se relacionar sexualmente (Swadisthana), depois financeiramente (Manipura) - onde também entram ciúme e posse, entre outras questões para estruturar a relação. Só aí haverá espaço para uma onda amorosa alta (Anahata). Pessoas que logo dizem ‘te amo’, na verdade não amam, têm sentimento de posse ou necessitam física, psíquica, financeira e/ou sexualmente do outro. São questões diferentes.
Bem-Estar - A maioria das pessoas sequer conhece esses chacras, como vão saber dessa onda amorosa?
Cláudya - Por esse motivo não posso falar apenas da energia amorosa que me questionou inicialmente. O amor é aprendido, a pessoa não nasce amorosa. A pessoa aprende a amar. Por isso, as famílias são tão importantes, o amor é aprendido na família.
Bem-Estar - A partir de que idade as pessoas têm condições de desenvolver esse amor incondicional?
Cláudya - Depois de desenvolver todos os chacras que citei. O amor incondicional só acontece depois de você aprender a se sustentar como pessoa. Antes do amor incondicional se vive o amor animal, o físico (Muladhara), o amor sexual (Swadisthana), o amor de posse (Manipura). Depois de vivenciar, aprender e desenvolver esses chacras a pessoa terá condições e estrutura para chegar ao Anahata, ao amor incondicional.
Bem-Estar - As pessoas podem vivenciar o amor incondicional em qualquer idade?
Cláudya - Sim, desde que realmente vivenciem os sete níveis de energia, de relacionamentos. Esse é o grande lance. Antes de qualquer coisa é preciso ter amor por si. Apenas após ter desenvolvido os sete chacras em você é possível se relacionar com o outro. Os chacras podem ser desenvolvidos em todas as áreas da vida e para cada uma delas os chacras têm de estar equilibrados para o fluxo de energia fluir bem. A busca pelo amor do outro começa pelo amor em si. Se não tenho amor-próprio os outros também não sentem amor por mim. É assim: o que há fora há dentro e o que há dentro há fora. Você desenvolve dentro para atingir fora.
Bem-Estar - De que modo se relacionam as pessoas que ainda não desenvolveram esses sete chacras?
Cláudya - As pessoas, em geral, se relacionam em poucos níveis. A maioria dos casais que atendo em consultório, por exemplo, só se relaciona nos três primeiros níveis.
Bem-Estar - Por que não se relacionam nos outros?
Cláudya - Porque não aprenderam. É preciso treinamento. No nível do chacra Muladhara ocorrem os relacionamentos físicos, em que os casais determinam, por exemplo, quem faz as compras da casa ou irá cozinhar e assim sucessivamente. Já no nível Swadisthana fica ‘determinado’ como será o sexo, se diário ou por quantas vezes na semana se vai transar. No nível Manipura fica determinado quem vai pagar o aluguel, a água, as contas. E assim permanecem os casais.
Bem-Estar - E não entram no nível emocional?
Cláudya - Não porque as pessoas não têm coragem de falar o que sentem. ‘Não tenho coragem de falar para você que não gosto que me chame de Claudião’, por exemplo. Às vezes até consigo falar, mas aos gritos, alterada. Entende como funciona?
Bem-Estar - É mais fácil os casais atingirem o quinto e o sexto níveis, respectivamente o chacra Vishudha, que é o lado social, e o chacra Ajna, que é o mental?
Cláudya - Também não. Ninguém se posiciona muito firmemente sobre as vontades individuais e sociais. A energia não se envolve ativamente.
Bem-Estar - E o que fazer para ativar essa energia?
Cláudya - Bastam pequenos movimentos. Por exemplo: se a mulher sempre faz as compras da casa deve pedir para que o homem as faça em seu lugar. Só essa atitude já faz com que todos os outros chacras mudem sem que se perceba. O simples fato da mulher não se cansar ao fazer compras lhe dá mais energia para o sexo e assim sucessivamente.
Bem-Estar - As mudanças são simples assim?
Cláudya - Quando você quer promover qualquer mudança precisa mexer na base (Muladhara), nos hábitos do cotidiano. A mudança tem de ocorrer na sua própria base e não na do outro.
Bem-Estar - A atração entre as pessoas ocorre de acordo com o desenvolvimento dos chacras? Como ocorre a troca da energia amorosa?
Cláudya - As energias básicas masculinas são: Muladhara, Manipura e Ajna, ou seja, a física, a da prosperidade (que é a da atividade, do trabalho, a financeira) e a mental. Esses três chacras são de polaridade masculina. As energias básicas femininas são: Swadisthana, Anahata e Vishudha, respectivamente relacionados à sexualidade, ao emocional e ao social. O que acontece: toda mulher procura um homem forte (Muladhara), próspero (Manipura) e inteligente (Ajna). Porém, atualmente, quem é forte, próspera e inteligente é a mulher. Desse modo, a mulher tem atraído homens fracos, sem dinheiro e avoados. Por quê? Porque a mulher desenvolveu a energia masculina dela loucamente e não encontra homens com a energia masculina deles forte. A lei do Universo é muito clara, se você tem um pote cheio vai te aparecer outro pote vazio.
Bem-Estar - Como assim?
Cláudya - A energia é movimento, não fica parada. Por exemplo: num local em que há uma mulher forte, rica e próspera e um homem com as mesmas características os dois tendem a não se atrair porque a energia não terá por onde escoar, não há link entre eles, ambos nem se olham. Não há complementaridade.
Bem-Estar - Não deveria ser justamente o contrário?
Cláudya - Já ouviu dizer: ‘dois bicudos não se bicam?’, na verdade ‘dois bicudos não se atraem’. É isso. Para atrair um homem forte, próspero e inteligente a mulher tem de desenvolver mais seu potencial feminino e vice-versa. Não é o que tem acontecido. Hoje, muitas mulheres andam sem maquiagem, com o cabelo preso, de calça jeans e tênis - como os homens. A mulher não está dançarina, não tem movimento de quadril, não se cuida, não sabe bordar, costurar ou cozinhar, é grossa, não tem nada de mulher. O homem não quer outro homem. Então, se a mulher quer um homem forte ela tem de ter seus chacras femininos fortes e não os masculinos. É por isso que hoje tem muita mulher bem-sucedida sozinha e cheia de amigos homossexuais. Quando não estão sozinhas atraem os homens com características femininas porque atraem o que lhes falta. É o que chamo da ‘Síndrome das Mulheres Cabeça.’
Bem-Estar - É como se tivéssemos um imã interno?
Cláudya - Exatamente isso. Há um imã energético dentro de nós. Esse imã pulsa o tempo inteiro. Por isso, as mulheres que estão com as polaridades masculinas em alta atraem as polaridades que lhes faltam. Tanto que as mulheres que chamo de ‘mulheres cabeça’ atraem homens frágeis fisicamente, grudentos, lentos, instáveis financeiramente, bem sensíveis e amorosos, além de bastante criativos, mas despachados na questão mental. Com o tempo isso fica complicado porque a mulher deseja as características masculinas e não as encontra.
Bem-Estar - Na sua opinião os opostos se atraem?
Cláudya - A energia é oposta. Os opostos se atraem não no sentido de um ser pobre e o outro rico, não é isso. Opostos no sentido de as energias masculinas serem opostas às femininas porque são polaridades opostas. É como se faz para disparar uma faísca elétrica: é necessário o positivo e o negativo. A mesma coisa ocorre com a conexão dos corpos, são polaridades. É preciso o positivo e o negativo para ‘ligar’ e disparar o estado orgástico, a atração entre as pessoas. É energia, como a elétrica, as pessoas sentem. Ao chegar perto de alguém cuja polaridade é complementar você sente a energia e o ‘negócio’ é elétrico. Tanto que os apaixonados trabalham mais, têm mais disposição, sentem tesão: têm mais energia. O Universo é sábio, a natureza é perfeita.
Bem-Estar - Se a mulher deseja atrair um homem inteligente tem de ser burra? Não faz sentido. Há quem faça isso?
Cláudya - A mulher não precisa deixar sua inteligência de lado. Ela precisa virar a ‘chave’ ao encontrar seu homem. É preciso um duplo desenvolvimento. Pessoalmente faço isso: ao sair do trabalho fico pelo menos 40 minutos em transmeditação dinâmica para virar a chave para o feminino intenso. Deixo a mulher forte, inteligente e bem-sucedida para encontrar meu marido cheia de amor, sensualidade e criatividade. A mulher precisa ter uma chave Yang para o trabalho e virá-la para Ying nos relacionamentos afetivos.
Bem-Estar - Como equilibrar essas energias?
Cláudya - Com ioga, meditação, autoconhecimento, exercícios físicos, alimentação adequada e autodiagnóstico diário. Não adianta querer ser feliz no campo emocional sem cuidar dos campos físico, mental e espiritual. Primeiro todos deveriam se relacionar consigo nos sete níveis de chacras para depois se relacionar com outras pessoas. Não há outro jeito. Por isso, é preciso cuidar do físico, acalmar a mente e manter a espiritualidade para alcançar o amor incondicional.
Entenda os chacras:
:: Muladhara - É considerado o chacra base. Está localizado na espinha dorsal (no coccis) e é relacionado com o físico
:: Swadisthana - Chacra localizado no baixo ventre. Está relacionado à saúde sexual
:: Manipura - Chacra localizado no estômago. Está relacionado a ciúme, posse e questões financeiras
:: Anahata - Chacra localizado na altura do coração. Está relacionado ao emocional e ao amor incondicional
:: Vishudha - Chacra localizado na garganta. Está relacionado ao social, à criatividade
:: Ajna - Chacra localizado na testa. Está relacionado à saúde mental
:: Sahashara - Chacra localizado no alto da cabeça. Está relacionado ao espiritual, com a conexão divina
Fonte - Cláudya Toledon