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Divulgação
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Biógrafos Anthony Summers e Robbyn Swan elucidam temas polêmicos no livro “Sinatra - A Vida”
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Sete centenas de páginas não dão conta da dimensão gigantesca do mais popular cantor norte-americano de todos os tempos, Francis Albert Sinatra (1915-1998), mas bem que os biógrafos Anthony Summers e Robbyn Swan tentaram. Em “Sinatra - A Vida” (Editora Nova Século), eles resumem - muito - sua carreira, ampliam os inúmeros casos amorosos e, principalmente, dedicam atenção anormal ao envolvimento do cantor com a Máfia.
Rivalizando com a ficha de Sinatra no FBI - 2.403 páginas reveladas ao público no ano da morte do cantor -, a biografia deixa o intérprete de lado e segue o homem, cheio de contradições, ressentimentos, mas também capaz de gestos de extrema generosidade e lealdade aos amigos. Os mafiosos Lucky Luciano, Carlo Gambino e Sam Giancana são alguns chefões do crime organizado que surgem associados ao nome de Sinatra no livro, cujos autores parecem particularmente interessados em descobrir qual o papel que os bandidos tiveram na ascensão do cantor.
A voz e a inteligência natural de Sinatra foram capazes de imortalizar canções medíocres e fazer delas suas marcas registradas (de “My Way”, que abominava, a “Strangers in the Night”, que classificou de “bosta”). Mas esse talento fica em segundo plano numa biografia criminal que começa com o jovem Frank levando um gato para uma sessão de cinema e matando o bichano com um tiro de pistola.
É chocante, mas ele fez coisas piores, segundo os biógrafos, que enumeram algumas agressões de Sinatra - desde seu primeiro soco em coleguinhas de Hoboken, New Jersey, onde cresceu, até ameaças ao escritor Mario Puzo, que teria se inspirado nele para criar o cantor protegido por mafiosos de “O Poderoso Chefão”.
Tanta truculência só se explica como uma reação tardia ao desejo de Dolly, a mãe de Sinatra, de ter uma menina e vestir o pequeno Frank com roupinhas de bebê cor-de-rosa para contrastar com os olhos azuis do garoto. Ele, asseguram os biógrafos, era “um pouco efeminado e brincava com bonecas”. Dolly, que foi parteira (especialista em abortos) e depois taverneira (comprando bebida ilegal dos mafiosos durante a Lei Seca), costumava dar banhos de água gelada no garoto, imitando a avó de Frank, que salvou o recém-nascido segurando-o debaixo de uma torneira quase congelada (o cantor nasceu no inverno de 1915).
Frank Sinestro - assim registrado por engano do tabelião - lembraria com ressentimento do trauma de nascimento. “Estavam pensando apenas em minha mãe”, teria dito a uma amante. “Eles apenas me arrancaram e me jogaram de lado.” Criado entre mafiosos, o garoto se vingou praticando pequenos furtos. Não demorou para ser expulso da escola. Era o típico rebelde sem causa.
Dois outros mafiosos além do mencionado Lucky Luciano - Willie Moretti e Frank Costello - estariam associados ao começo da carreira musical de Sinatra, sugerem os biógrafos, apoiados, segundo eles, num documento do FBI. Não é preciso ver filmes sobre o período para saber que a Máfia, de fato, controlava tudo naquela época.
Sinatra, já famoso, admitiu ter Moretti arrumado “algumas apresentações” para ele nos anos 1930. Até mais ou menos a metade da biografia, a carreira de cantor ainda parece interessar à dupla de autores. Na segunda metade, ganham mais destaque sua vida amorosa, as longas noites de bebedeira, o limbo artístico nos últimos anos da década de 1940 e sua militância política.
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