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Lézio Jr.
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Desde os primeiros minutos de vida, o bebê chora para receber cuidados da mãe. Entre os argumentos a favor, estão a segurança e o afeto transmitidos a eles e porque essa é a única maneira que ele tem de se comunicar. O problema é que alguns adultos insistem em se comportar como os pequenos. Muitos têm crise de choro, motivados, entre outras razões, para ser aceitos, ter carinho ou atenção social. Mas assumir o papel de vítima desperta irritação e não empatia.
A psicóloga Carolina Fernandes Todesco afirma que a compaixão é despertada quando há motivos palpáveis para que ela aconteça. “Qualquer indíviduo que perceba uma vitimização forçada se sentirá desconfortável, não dando crédito para a situação.” Quem se faz de vítima não consegue construir relacionamentos saudáveis, aqueles consolidados por meio de trocas e interesses comuns. É mais fácil culpar os outros que assumir as próprias responsabilidades.
O comportamento não significa má índole, pois em alguns casos é inconsciente. “Não significa mau-caratismo, já que acreditam que, assim, conseguirão maior atenção e aceitação por parte das pessoas com quem se relacionam, crendo haver nesse sentimento aspectos positivos para eles”, afirma Carolina. Ana Cristina Penteado Lopes Kfouri Trazzi, psicoterapeuta cognitivo comportamental, explica que vitimizar-se é a forma que a pessoa encontra para enfrentar as situações de acordo com sua leitura de mundo.
“Não consegue dizer não para o outro e acha que é preciso sempre dar mais do que receber.”Segundo a psicóloga Carolina, muitas vezes a mudança de ciclos na vida de indivíduos com esse perfil de vítima se acentua. Há casos também ligados à personalidade que merecem um olhar mais atento no tipo de comportamento, para saber diferenciar. “É preciso analisar se o indivíduo está passando por uma fase difícil, em que esteja se sentindo sozinho ou inseguro, necessitando de maior atenção e acolhimento”, afirma Carolina.
Há tratamento para acabar com o comportamento de “coitadinho”. Segundo Carolina Todesco, se existe esse tipo de comportamento é porque há algo de errado. “É necessário um trabalho psicoterápico voltado para fortalecimento e aumento da autoestima. ”Ana Cristina afirma que o tratamento psicoterapêutico pode ajudar a pessoa acostumada a se fazer de vítima a enfrentar de outra forma as situações. “Encarando com maior realismo o que de fato está acontecendo, o que a levará a descobrir em seu repertório comportamental a capacidade de enfrentamento positivo e adaptado dos problemas.”
Volta por cima
Um dos passos para deixar de lado o papel coadjuvante de vítima e se tornar protagonista da própria vida é reconhecer o problema. O segundo é tomar uma decisão de mudança. É preciso comprometimento, respeito por si próprio e parar de achar que o outro é sempre melhor. É necessário parar de dar satisfação e justificativa do que acertou ou frustou-se e deixar de culpar o outro. É preciso dar ainda fim às desculpas esfarrapadas e colocar as reclamações de lado.
E também domar e traçar objetivos desafiadores, ampliar as possibilidades e ter foco na solução dos problemas. Tomadas as decisões, o equilíbrio mental é consequência. Você verá que o que realmente importa é a sua opinião e sua percepção do mundo. As conquistas serão mais prazerosas e as pessoas ao se redor darão o valor necessário a sua atitude. O trabalho é contínuo por meio de metas, objetivos claros e autoconhecimento.
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