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Beatriz Lefévre/Divulgação
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Felipe Camargo e Caio Blat fazem parte do elenco de “Xingu”, destaque do Brasil em Berlim
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Começa hoje e vai até o dia 19 deste mês a 62ª edição do Festival de Berlim, o Berlinale, primeiro grande evento do cinema europeu de 2012, com 23 filmes na mostra oficial, dos quais 18 são pré-estreias mundiais, que concorrem ao prêmio máximo. Cerca de 400 filmes, no total, participam do evento. Além do rigor estético, o engajamento político continua a ser marca registrada do evento. Neste ano, documentários e obras de ficção pretendem mostrar o progresso turbulento (e sangrento) dos levantes populares na região árabe em 2011. Outro tema central é a agitação social provocada pelo tsunami japonês e o desastre nuclear em Fukushima, no ano passado.
A primeira première será a do filme francês “Les Adieux à la Reine” (“Adeus à Rainha”), de Benoît Jacquot. O drama é uma adaptação do livro de Chantal Thomas e retrata os primeiros dias da Revolução Francesa, sob o ponto de vista dos criados que trabalhavam em Versalhes. Diane Kruger interpreta a protagonista, Maria Antonieta.
A programação segue com veteranos, casos dos irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani, com “Cesare Deve Morire”, e do alemão Hans-Christian Schmid, com “Was Bleibt” (“Home for the Weekend”); além de novatos, como o filipino Brillante Mendoza e seu “Captive”, queridinho do Festival de Cannes, que pisará na capital alemã pela primeira vez.
A produção chinesa, com três representantes, também está entre os destaques. Wang Quan’an, vencedor do Urso de Ouro em 2007 com “O Casamento de Tuya”, retorna com “Bai lu Yuan” (“White Deer Plain”). Trata-se de uma epopeia sobre camponeses antes do comunismo. O roteiro é inspirado no best-seller homônimo de Chen Zhongshi.
Outros dois títulos do país asiático poderão ser vistos fora de concurso: “Jin Ling Shi San Chai” (“Flores da Guerra”), de Zhang Yimou, com Christian Bale no elenco, e “Long Men Fei Jia” (“Flying Swords Of Dragon Gate”), de Hark Tsui, com Jet Li. O primeiro conta a história de um sacerdote que protege as mulheres chinesas dos abusos do exército japonês e o segundo fala sobre um general que, durante a dinastia Ming, luta contra um homem que quer conquistar o poder à força.
Ainda fora da competição, Angelina Jolie assina sua primeira direção, “In the Land of Blood and Honey”. A trama é costurada por um sérvio que se apaixona por uma muçulmana em plena Guerra da Bósnia, conflito armado que ocorreu nos Balcãs, entre 1992 e 1995. O trabalho já nasceu em meio à polêmica. Durante as filmagens, a artista teve dificuldades para conseguir licenças para algumas locações, pois um grupo interpretou o roteiro de forma equivocada.
Depois, ela foi acusada de plagiar o jornalista croata James Braddock. Se a história mantiver a mesma repercussão que os vestidos da mulher de Brad Pitt no tapete vermelho, o sucesso está garantido.
A tradicional retrospectiva será dedicada aos estúdios de cinema germano-russos, mais conhecidos como Fábrica de Sonhos Vermelha. O módulo inclui mais de 40 produções sonorizadas e mudas. Entre os destaques estão “Outubro” (1927), de Sergei Eisenstein, “Tempestade sobre a Ásia” (1928), de Vsevolod Pudovkin, “A Menina com o Chapéu” (1927), de Boris Barnet, entre outros.
Estatuetas
O cineasta britânico Mike Leigh (“Segredos e Mentiras”) será o presidente do júri. Também estão no grupo a atriz francesa Charlotte Gainsbourg e o diretor iraniano Asghar Farhadi, vencedor do festival em 2011, com “A Separação”.Desta vez, a estrela norte-americana Meryl Streep receberá um Urso de Ouro honorário, pelo conjunto da obra. Com mais de 40 filmes no currículo, Meryl acaba de ser indicada ao Oscar por seu desempenho na pele de Margaret Thatcher, em “A Dama de Ferro”, de Phyllida Lloyd.
A homenagem será acompanhada de uma mostra com seis filmes protagonizados por ela, como “Kramer vs. Kramer”, de Robert Benton (1979), e “A Escolha de Sofia”, de Alan J. Pakula (1982), que lhe valeram o Oscar de melhor atriz. “Seu talento, de múltiplas facetas, combina com a facilidade em interpretar papéis dramáticos e de comédia”, disse o diretor do festival, Dieter Kosslick.
"Xingu" integra a mostra Panorama
Cinco filmes levam a bandeira verde e amarela a Berlim. Há quatro anos sem representante na mostra competitiva, o Brasil pega carona em “Tabu”, coprodução com Alemanha, França e Portugal, dirigida por Miguel Gomes. O filme traz uma história de amor e de crime, em torno de uma idosa que mora em Lisboa e passou parte da vida em Moçambique.
Também estão previstas exibições de “Xingu”, de Cao Hamburger, e “Olhe Para Mim de Novo”, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, ambos pela mostra Panorama; além de “Licuri Surf”, de Guile Martins, pela Shorts, e “L”, de Thais Fujinaga, pela Generation Kplus.
Desses nomes, o mais aguardado é “Xingu”, que teve pré-estreia no Festival de Manaus, em novembro, e agora alça o primeiro voo internacional para contar a saga dos irmãos Orlando, Claudio e Leonardo Villas Boas. Os três foram idealizadores do Parque Xingu, primeira reserva indígena homologada pelo governo federal, em 1961. “É grande a expectativa em dividir essa história tão brasileira, mas ao mesmo tempo universal e tão atual”, diz Hamburger, por meio da assessoria.
O diretor já havia participado do evento em 2007, com “O Ano que meus Pais Saíram de Férias”. Além dele, conferem a projeção em solo europeu, no dia 15, Caio Blat e João Miguel, que dividem as atenções com Felipe Camargo.
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