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Hamilton Pavam
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Segundo D.C.F.S., a partir das 22h ninguém sai de casa devido ao toque de recolher informal
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Em Rio Preto, 36,4 mil moradores de seis bairros da zona norte vivem oprimidos pelo narcotráfico. Embora tenham 9% da população rio-pretense, juntas essas localidades concentram metade das 327 bocas de fumo mapeadas pela polícia na cidade. Para afugentar os policiais e evitar o avanço de concorrentes, os traficantes impõem regras rígidas aos habitantes do Solo Sagrado, Santo Antonio, Jardim Renascer, Vila União e Jardim Paraíso: toques de recolher, lei do silêncio e até ameaças armadas.
A empacotadora D.C.F.S., 40 anos, mora ao lado do Renascer, bairro com a maior concentração de pontos de tráfico da cidade, um a cada 62 metros, em média. Uma única rua, a Projetada 2, tem média de uma boca a cada 18 metros. “De madrugada, acordo com o barulho dos tiros que eles dão para o alto. A gente vive com medo constante aqui”, afirma.
Segundo a moradora, há um toque de recolher informal imposto pelos traficantes - a partir das 22h, ninguém sai de casa. É quando, diz, os traficantes tomam conta das ruas do Renascer e bairros vizinhos, e chegam a fechar o acesso de ruas sem saída. “Faz alguns dias meu filho teve de forçar com o carro para poder passar por eles.”
Os filhos de H.C.R., 35 anos, não puderam ir ao circo instalado em dezembro em frente ao Renascer. “Quando ia levá-los para um espetáculo, os traficantes mandaram todo mundo do circo embora, porque estava afugentando os clientes das bocas.” Os moradores são obrigados a engolir calados as exigências do tráfico. Se suspeitam que alguém do bairro denunciou alguma boca para a polícia, os traficantes fazem ameaças de morte ou furtam a residência do morador.
Foi o que aconteceu com a empregada doméstica S.E., moradora do Solo Sagrado, bairro com o maior número de bocas da cidade, 81 no total. Em 2006, a Polícia Militar fez blitz em um ponto de tráfico vizinho à casa dela. “Acharam que eu tinha denunciado, me chamavam de ‘X-9’ na rua. Menos de uma semana depois, entraram na minha casa e fizeram um limpa. Depois, da rua, um garoto de uns 15 anos me mostrou uma arma na cintura da bermuda, só para intimidar.”
As ameaças pararam depois que ela recorreu a outro traficante do bairro. Mas, com medo, a moradora passou a evitar sair de casa à noite. “Tem dia que a minha sala fica com um cheiro insuportável de maconha, mas fico calada, para evitar mais confusão.” Além do receio de nova retaliação, S.E. teme que o tráfico alicie seu filho de 12 anos. “Ele só sai para ir à escola e volta. A tentação que a droga exerce nessa molecada é grande.”
Estrutura
Cada boca de fumo emprega pelo menos cinco pessoas, estima o Gaeco, braço do Ministério Público que investiga o crime organizado. Além do dono, que raramente tem contato direto com a droga, há o gerente, o vendedor (chamado “vapor”), o distribuidor de entorpecente para os “vapores” e o “olheiro”, que avisa o grupo quando a polícia se aproxima.
Na maioria dos pontos de tráfico dos bairros da zona norte, a compra e venda de drogas não se resumem ao período noturno. Entre 16h e 18h da última quinta-feira, o Diário flagrou seis bocas de fumo a pleno vapor no Solo Sagrado, Renascer, Santo Antônio e João Paulo 2º. Como qualquer atividade econômica, o narcotráfico precisa expandir sua área geográfica de atuação para aumentar seus lucros, que são cada vez maiores.
“Sabemos que o comércio da droga oferece de 40% a 50% de lucro líquido ao traficante. Não há atividade legal tão lucrativa”, diz o coronel Gilmar Peres Torres, comandante do 17º Batalhão da PM. No entanto, diferentemente de uma empresa legalizada, o domínio territorial do tráfico envolve o emprego da violência e da coerção sobre a comunidade. “Por ser ilegal, seu espaço de atuação precisa ser protegido a ferro e fogo tanto da concorrência quanto do aparato repressivo do Estado”, diz o sociólogo José dos Reis Santos Filho, diretor do Núcleo de Estudos sobre Situações de Violência da Unesp.
O resultado são comunidades inteiras acuadas pelo poder dos narcotraficantes. “É interessante para o negócio das drogas o respeito por parte dos moradores, ainda que sob ameaça das armas”, afirma o especialista. “A gente vive com a sensação de que é refém permanente dessas pessoas”, resume a empregada doméstica S., do Solo Sagrado.
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Rubens Cardia
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P.R.A. conta que, de madrugada, pessoas gritam ‘tem pedra’
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Sem confiança na polícia
O maior entrave no combate ao clima de terror imposto pelo tráfico nas comunidades da periferia é a desconfiança no trabalho da polícia. “A corrupção e a falta de estrutura policiais criam barreiras na comunicação entre forças de segurança e sociedade. O morador acaba recorrendo ao tráfico para a solução de furtos ou roubos, porque julga mais eficaz do que a polícia”, diz o sociólogo José dos Reis Santos Filho.
O Santo Antônio, bairro com 30 bocas de fumo, ilustra as dificuldades do Estado na luta contra o poder do tráfico. P.R.A. mora no local há 13 anos. Desde 2006 convive com um ponto de venda de droga bem em frente de casa. “Eles gritam ‘tem pedra (crack), tem pó (cocaína)’, sem receio algum. Quando é madrugada, ficam loucos por causa da droga, saem correndo, gritando. Ninguém se arrisca a abrir a janela nem para ver”, diz.
Cansado da pressão do tráfico sobre a rotina do bairro, P.R.A. denunciou o problema à polícia. “Cheguei a indicar os endereços, mas ninguém faz nada. A PM mal passa por lá”, reclama. O comandante do 17º Batalhão, coronel Gilmar Torres, admite que, em determinados períodos, a 1ª Companhia da PM, responsável pela fiscalização do Santo Antônio e de outros bairros dominados pelo tráfico, como o Solo Sagrado e a Vila União, fica com apenas três dos oito veículos devido a problemas mecânicos ou de manutenção. No entanto, segundo o coronel, o problema é amenizado pelo trabalho das seis equipes da Força Tática.
“Posso garantir que nenhum bairro fica desguarnecido.” Para Julita Lemgruber, socióloga do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, do Rio, a solução para as falhas de comunicação entre polícia e população passa pelo investimento maior em formas de policiamento comunitário. “É preciso criar uma cultura policial de respeito à população, construir uma polícia que respeite o cidadão. Essa receita é antiga e repetida há décadas, mas ninguém do poder público ainda levou a proposta a sério.”
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Guilherme Baffi
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Laudevino diz que criou dois filhos na Vila Toninho e nunca teve problema; ‘falta rigidez das autoridades’
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Droga é o pior problema, dizem moradores
A droga é o principal problema apontado por moradores de cinco bairros da cidade ouvidos em pesquisa da Secretaria de Assistência Social de Rio Preto: Vila Toninho, João Paulo 2º, Santo Antônio, Jardim Antunes e Solo Sagrado. O objetivo do estudo, feito no ano passado, foi identificar famílias com direito à inclusão em programas sociais.
A pesquisa foi feita de porta em porta, e os moradores responderam um questionário com informações sobre renda, moradia, qualidades e problemas do bairro. Na Vila Toninho, zona leste, de 995 pessoas ouvidas, 563 falaram que a droga é o que o bairro tem de pior. Do total, 155 não souberam dizer, e 110 falaram que a saúde é o maior problema. “Trabalho como garçom e tenho um filho de 17 anos.
Fico muito preocupado, porque por mais que a gente tente acompanhar, numa saída até a esquina ele pode encontrar alguém que o leve para esse caminho”, diz Edson Barbosa, 45 anos. O aposentado Laudevino Matos, 55 anos, conta que criou os dois filhos no bairro, um de 30 e outro de 22 anos. “Graças a Deus nunca deram problema. Mas hoje vejo muita molecada desocupada, que passa o dia pela rua. Muitos vendem drogas em plena luz do dia. Acho que falta mais rigidez das autoridades.”
No João Paulo 2º, zona norte, entre as 431 pessoas entrevistadas, 177 consideram a droga o pior problema. Vizinha de um prédio abandonado utilizado por usuários de crack, a faturista A.T.P., 30, pensa em mudar de bairro. Ela tem um casal de filhos, de 5 e 9 anos, e não deixa as crianças brincar na rua, por medo do contato com usuários e traficantes. Um dos irmãos da faturista, de 29 anos, mora na rua por causa da dependência química. Ele começou a usar drogas aos 15 anos, influenciado pelas companhias.
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Thomaz Vita Neto
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W.X.M. explica que existe uma lei informal: ‘eu não mexo com eles e eles não mexem comigo’
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No bairro Santo Antônio, zona norte, as equipes da Assistência perguntaram a 1.355 pessoas sobre o maior problema do bairro: 819 apontaram a droga. No Jardim Antunes, entre 1301 moradores, 480 também apontaram a droga. “Convivo com o medo. Já fui abordada várias vezes por meninos que usam droga e ficam por aí. Eles vêm para cima quando ficam loucos e querem dinheiro”, fala a dona de casa A.M.J., 65.
Ela mora com a filha, o genro e três netos, de 9, 6 e 4 anos. “Não deixamos as crianças saírem sozinhas. Se elas saem um pouco na calçada, eu fico por aqui vigiando”, revela. Dos 1245 moradores ouvidos no Solo Sagrado, para 927 a droga é o principal problema. W.X.M., 36 anos, vive em uma rua do bairro cercado por quatro bocas de fumo. “A gente cria uma lei informal. Eu não mexo com eles e eles não mexem comigo. A gente não pode dar bobeira”, afirma.
Em bairros como o Novo Mundo e o Parque da Cidadania, no entanto, a droga aparece depois do problema de infraestrutura. No Novo Mundo, entre 674 ouvidos, 246 disseram que a infraestrutura é o pior, e 124, que é a droga. Já no Cidadania, de 511 entrevistados, 130 apontaram a infraestrutura, 126 a saúde, e 113 as drogas.
A secretária de Assistência Social, Ivani Vaz de Lima, foi procurada para comentar os resultados, mas disse por meio da assessoria de imprensa que não teria tempo para atender o Diário na sexta-feira. Na quinta-feira, a assessoria informou que ela estava viajando.
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Rubens Cardia
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Policiais encontraram drogas escondidas em mato, durante operação realizada no Jardim Renascer
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MP exige melhorias no Paraíso e Renascer
Para livrar os moradores dos Jardins Paraíso e Renascer do jugo do tráfico, o Ministério Público decidiu pressionar a Prefeitura de Rio Preto para que implante melhorias nos dois bairros. “São locais com alta concentração de bocas de fumo e casos conhecidos de exploração da prostituição, inclusive infantil, e nunca ninguém fez nada para minimizar esses problemas. Por isso decidimos agir”, diz o promotor João Santa Terra Júnior, do Gaeco, braço do Ministério Público que investiga o crime organizado.
Em 16 de dezembro do último ano, a Promotoria deu prazo de 15 dias para que a Prefeitura entregasse um plano de ação contra o tráfico, incluindo a abertura de ruas e a instalação de iluminação pública nos dois bairros. Para o Renascer, também foi requerida limpeza e regularização fundiária, e para o Paraíso, a instalação de uma câmera de segurança.
Passados 43 dias, porém, o plano de ação não foi apresentado. Devido ao atraso, na última semana o Gaeco enviou ofício à Prefeitura dando três dias para o plano ser apresentado. Como o prazo venceu na última quinta-feira, o promotor da Cidadania Sérgio Clementino estuda ingressar com uma ação judicial para obrigar a Prefeitura a apresentar o plano.
Nesse período, houve melhorias nos dois bairros, mas mínimas. Apenas o mato alto na frente do Renascer foi cortado e o entulho, que servia de esconderijo para as drogas, retirado. Também foram instalados postes de iluminação com fiação aérea, para evitar furto dos fios.
A Secretaria de Habitação iniciou o processo de regularização fundiária das 117 casas do bairro. Irregular, o Renascer foi criado em 1998 durante processo de desfavelamento na gestão de Liberato Caboclo. “Fizemos o levantamento planoaltimétrico para que o cartório parcele os terrenos”, disse a engenheira da pasta Roseane Lemgruber Vilela.
Outras melhorias, como a abertura de ruas e a instalação de câmeras, permanecem no papel e enfrentam resistência da Prefeitura. “As câmeras envolvem segurança pública, que são afeitas ao Estado, e não ao município. Além disso, o equipamento corre sério risco de sofrer vandalismo”, diz o secretário de Habitação, Fernando Fukassawa.
A pressão sobre a Prefeitura é a segunda tentativa do Ministério Público de afastar o tráfico e a exploração da prostituição dos dois bairros. A primeira foi em abril de 2009, quando a polícia sitiou o local, prendeu 13 acusados de liderar o narcotráfico no bairro e apreendeu seis quilos de droga.
Durante os 53 dias subsequentes, os 300 moradores do bairro passaram a ser constantemente vigiados pela tropa de choque da PM. Mas bastou a polícia deixar o local para que o tráfico retomasse o controle do Renascer. Na última quinta-feira, o Diário flagrou, em plena luz do dia, a venda de drogas no local. Um carro se aproximou de um rapaz. Segundos depois, o rapaz correu para uma casa, pegou um papelote e entregou ao motorista.
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Hamilton Pavam
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Postes de iluminação com fiação aérea foram instalados no Renascer para evitar furto dos fios
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‘Parece desfile de loucos, tenho pena’
A cena já é rotina na vida da dona de casa V.A.Q., 59 anos: basta escurecer para que os viciados deixem suas tocas e passem a perambular pelas ruas do Jardim Paraíso, em busca das pedras de crack. “Eles falam sozinhos, dão risada, gritam. Parece um desfile de loucos. Eu fico só olhando, com pena.” V.A.Q. vive no coração do bairro, dominado há décadas pelo tráfico e prostituição. Apesar dos riscos, diz que já se acostumou com o lugar e não pretende deixar sua casa.
“Fico trancada o dia todo, e não me meto com eles. A gente não pode dar bobeira.”Sua casa foi palco de dois furtos praticados por viciados em drogas. Em um deles, levaram cadeiras de plástico; no outro, uma bicicleta e uma caixa de ferramentas.
O Jardim Paraíso é a face mais visível e conhecida do mercado do sexo rio-pretense. Cerca de 200 prostitutas e travestis disputam cada cliente, em meio a traficantes e viciados. São 37 casas e sete motéis. Apenas oito residências são habitadas por famílias comuns, que fazem questão de escrever a palavra “família” na frente do imóvel.
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Carlos Chimba
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V.A.Q. já se acostumou a viver trancada em sua casa, no Jardim Paraíso
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Desafio para a polícia e Promotoria
O avanço do narcotráfico pela periferia de Rio Preto desafia a polícia e o Ministério Público. “Prendemos muitos traficantes, mas no varejo. É como se a torneira estivesse aberta e ficássemos enxugando o chão. Não consigo fechar a torneira”, compara o coronel Gilmar Torres, comandante do 17º Batalhão da PM.
Em 2009 e 2010, o 17º Batalhão prendeu 1015 pessoas em flagrante por tráfico em Rio Preto, 353 deles menores de idade. Torres estima que 50% deles sejam dos seis bairros tomados pelo narcotráfico. A Polícia Civil disse não ter estatística de apreensões por bairros.
A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e o Ministério Público, a quem cabe investigar as quadrilhas de traficantes e ‘fechar a torneira’, admitem dificuldades para chegar até o topo da pirâmide na hierarquia do comércio de drogas. “Falta aparelhamento do Estado para combater o tráfico, com equipes preparadas para se infiltrar nas quadrilhas e veículos ‘frios’ para acompanhamento das bocas. Quanto mais dinheiro se investe, maiores as chances de sucesso contra esses grupos”, diz João Santa Terra Júnior, promotor do Gaeco.
Para o delegado-titular da Dise em Rio Preto, Fernando Augusto Nunes Tedde, a complexidade organizacional do tráfico dificulta o trabalho de investigação. “A atividade está de tal forma ramificada, que exige cada vez mais preparo policial.” Aliado aos lucros crescentes, o abrandamento da pena para o narcotráfico incentiva a atividade, segundo Santa Terra.
A lei 11.343 foi promulgada em 2006 com a promessa de endurecer o combate ao tráfico. No entanto, um dispositivo da nova norma reduziu a pena mínima para o crime, no caso de réus primários em envolvimento com organizações criminosas, de 3 anos para 1 ano e 8 meses de prisão. Com a progressão de pena, em menos de um ano a pessoa está na rua novamente. “Crimes de menor dano social, como o furto qualificado ou abuso de incapaz, têm pena maior, de 2 anos. Isso é justiça?”, questiona o promotor.
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