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Divulgação
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Maria João Quadros imprime a beleza de sua voz em ‘Fado Mulato’
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O poeta português Tiago Torres da Silva e a cantora moçambicana Maria João Quadros, filha de portugueses e radicada em Lisboa, têm forte ligação com a música brasileira, não apenas como apreciadores. Ele já assinou expressivas parcerias em canções e ela já gravou duetos com cantores daqui, incluindo um de seus ídolos, Ney Matogrosso. Nesse vaivém dos dois lados do Atlântico, Torres propôs a compositores brasileiros que compusessem fados, que ganhariam letras dele para ela cantar. A bela coleção de canções resultante desse desafio está no CD “Fado Mulato” (Biscoito Fino), na voz divina de Maria João.
Compor e cantar fados, porém, não é para qualquer um. Na percepção de Maria João, as canções dos brasileiros só se transformaram em fados quando ela, Torres (que produziu o CD) e seus músicos puseram a mão na massa. “Você sabe que o fado é muito específico, não é? Achamos que se eu cantasse aquelas coisas como eles me mandaram, naquele ritmo, sem ser com viola e guitarra portuguesa, não teria sabor a fado. Teria sido boa música brasileira cantada com sotaque português”, observa a cantora. Maria João reconhece que as composições tinham proximidade com a sagrada tradição musical lusitana, mas “não é fácil um português escrever samba, como não é fácil para um brasileiro escrever fado.”
De qualquer maneira são melodias substanciais assinadas por “brasileiros de alto gabarito”, como diz a cantora: Ivan Lins, Alzira Espíndola (duas), Francis Hime, Chico César, Zeca Baleiro, Pedro Luís, Iara Rennó, Olivia Byington, Swami Jr. e Ivor Lancellotti - todas com letras impecáveis de Torres. Hime e Olivia cantam as respectivas composições com Maria João.
Dessas parcerias, só uma não é inédita: “Desamparinho”, que Zélia Duncan canta no CD “Outra Praia”, de Swami. Maria João também gravou “Gota d’Água”, de Chico Buarque, transformada em fado, de resultado tão bom quanto “Carolina”, que Zé Renato registrou com o grupo português Trinadus.
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