|
|
Edvaldo Santos
|
|
|
|
|
|
Liszt Abdala Martingo: os efeitos da crise, que motivaram a queda do PIB nacional, também chegaram a Rio Preto
|
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,2% em 2009, o primeiro resultado negativo desde 1992, sob o impacto da crise financeira internacional. Apesar da queda, o resultado foi o quarto melhor entre os 20 países da América e da Europa que já anunciaram o desempenho de suas economias no ano passado e, entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o País superou o desempenho da Rússia.
Além disso, segundo economistas, houve forte desempenho da economia no quatro trimestre do ano passado, garantindo um crescimento (carry over) de pelo menos de 2,7% a 3% em 2010 mesmo se a economia fique estagnada. Na segunda-feira passada, a mediana das projeções de mercado estava em 5,50%. “O mais provável é que o mercado revise para cima suas projeções para o PIB em 2010”, disse o economista da MCM, Antonio Madeira, para quem os dados divulgados ontem, também pelo IBGE, sobre as vendas no varejo, mostram que a atividade está muito longe da estagnação.
Ao contrário, o ritmo de recuperação nos primeiros meses mostra-se forte e, o que é mais importante, sustentado por fundamentos como mercado de trabalho e renda, e não mais por estímulos fiscais. Ele aposta num carry over de 3% no ano. Já o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, já começa o ano projetando um crescimento de 2,7% para o encerramento do exercício, que também constatou ser esta herança estatística a maior já registrada no País desde a passagem 1994 para 1995. Naquele momento, o carryover chegou a 6%.
Segundo a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, os investimentos foram os principais responsáveis pela variação negativa do PIB. Ela fez uma abertura dos dados do PIB do ano passado, em termos de contribuições pelo lado da demanda, mostrando que os investimentos e os baixos estoques derrubaram a economia.
Os investimentos, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), caíram 9,9% em relação a 2008. A taxa de investimento (FBCF/PIB) total de 2009 ficou em 16,7% ante 18,7% em 2008. A taxa de investimento do ano passado foi a menor desde 2006, quando ela ficou em 16,4%. A formação bruta de capital fixo é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.
Já atividade da indústria teve queda de 5,5%, a agropecuária recuou 5,2%, enquanto o setor de serviços cresceu 2,6%. Mas o consumo das famílias subiu 4,1% e, do governo, 3,7%. “A queda dos investimentos foi o principal fator responsável pela queda do PIB, além da variação dos estoques, que caíram porque a produção da indústria diminuiu, apesar do aumento do consumo das famílias”, explicou Rebeca.
Para a queda de 0,2% do PIB, a demanda interna contribuiu com -0,3 ponto porcentual, apesar da contribuição positiva do consumo das famílias (2,4 ponto percentual) e do consumo do governo (0,7 pp). Ainda do lado da demanda interna, a FBCF teve uma contribuição negativa no dado final do PIB de -1,9 pp, enquanto a variação de estoques contribuiu, também negativamente, com -1,6 pp.
O setor externo, por sua vez, deu a primeira contribuição positiva para o PIB desde 2005, com 0,1 pp em 2009. Em 2009, as exportações tiveram queda de 10,3% em relação a 2008. Já as importações caíram 11,4%. Segundo Rebeca, as contas abertas do PIB pelas contribuições não fecha exatamente em 0,2% porque houve arredondamentos e o objetivo é mostrar as principais influências, em termos da demanda, na composição da taxa.
Juros
O economista da MCM destaca que, mais importante do que a expansão do PIB em si, é o fato de o crescimento ter sido sustentado, no segundo semestre de 2009, pelos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 6,60% no quarto trimestre na margem e 6,30% no terceiro trimestre ante o segundo “Isso é bom, porque indica que haverá expansão da capacidade produtiva lá na frente”, afirma.
O resultado vigoroso das vendas no varejo, de 2,70% em janeiro ante dezembro, é mais um dado positivo sobre o crescimento da atividade. E reforça, em sua opinião, a expectativa de aumento de juros no curto prazo, em março ou em abril. Mais forte do que o mercado esperava, essa expansão foi balanceada entre os diferentes segmentos, mostrando que a recuperação já não depende mais dos estímulos do governo.
Madeira diz que ainda espera que o início do ciclo de aperto monetário - que deve elevar a Selic em três pontos porcentuais ao longo do ano - comece em abril. “Mas não seria uma surpresa que o primeiro aumento já ocorresse em março”, afirma.
Comparação
Com base em dados colhidos junto aos bancos centrais e institutos de estatística dos países listados, o IBGE mensurou o desempenho da economia brasileira no ano passado. Entre os 20 países cujos resultados do PIB no ano passado foram listados pelo IBGE, o Brasil teve a quarta melhor performance, ficando atrás apenas da China (8,7%), Índia (6,1%) e Peru (0,9%).
Em 2009, o desempenho da economia brasileira foi melhor do que o registrado na Suíça (-1,5%), Chile (-1,7%), França (-2,2%), Estados Unidos (-2,4%), Canadá (-2,6%), Espanha (-3,6%), zona do euro (-4,0%), União Europeia (-4,1%), Reino Unido (-4,8%), Suécia (-4,9%), Japão (-5,0%), Itália (-5,0%), Alemanha (-5,0%), México (-6,5%), Romênia (-7,2%) e Rússia (-7,9%)
Impacto da crise em Rio Preto é menor
Economistas e representantes dos setores da indústria e do comércio de Rio Preto avaliam que a diversidade econômica local e indicadores positivos, como recuperação do emprego e do crédito, atenuaram o impacto da crise sobre o PIB rio-pretense, diferentemente do resultado negativo apontado em 2009 no País. Segundo o economista Joelson Gonçalves de Carvalho, a diversificação da economia de Rio Preto faz com que os efeitos da queda do PIB sejam minimizados. Inclusive porque a economiza da cidade não tem no setor industrial seu principal fator de crescimento.
Outro fator que beneficiou a economia local, segundo Carvalho, foi a intervenção do governo com isenções fiscais para que o País saísse da crise. “Os setores do comércio e serviços sentiram menos, o que fortaleceu a dinâmica da economia local.” Para o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Liszt Abdala Martingo, os efeitos da crise, que motivaram a queda do PIB nacional, também chegaram a Rio Preto, mas de maneira menos intensa do que em outras regiões. “O resultado nacional significa uma tendência do que aconteceu com setores industriais.”
Perspectivas
Em relação a como será o comportamento do PIB 2009 de Rio Preto, as opiniões variam, mas indicam uma tendência de estabilização ao redor dos números de 2008 - R$ 7,573 bilhões (valor com ajustes feitos depois da divulgação inicial), ou retração similar à registrada no Brasil, de 0,2%. Até o terceiro trimestre do ano passado, levantamento do Sebrae-SP apontou para um PIB de R$ 5,657 bilhões, o que significa que faltava apenas R$ 1,916 bilhão para igualar ao valor do ano anterior, previsão que deve ser superada.
Para o economista Hipólito Martins Filho, o que houve em 2009 é que passou-se o ano todo sem gerar produção e consumo suficientes para o crescimento econômico. “As perspectivas para esse ano são melhores.” Isso porque, segundo Martins Filho, 85% das categorias profissionais tiveram aumento real do salário, o que vai gerar alta do consumo, além da previsão de mais trabalhadores empregados. “A expectativa também é de crédito farto, o que nos leva a crer em crescimento razoável em Rio Preto”, disse.
A assistente da Secretaria Municipal de Planejamento, a economista Emília de Toledo Leme, acredita que o PIB de Rio Preto se manterá nos mesmos patamares do registrado em 2008. “Os indicadores apontam nesse sentido. Tivemos uma rápida recuperação do emprego, do crédito e da própria arrecadação municipal”, afirma. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), Mauricio Bellodi, avalia que o fato de o PIB ter ficado praticamente estável é um resultado positivo frente a outros países, que tiveram fortes retrações.
“A tendência para Rio Preto é obter um resultado melhor do que o nacional, já que os setores de serviços e comércio são mais fortes. Mas, quando se avalia a região, em que o peso da agroindústria é maior, o resultado deve ficar perto da média nacional”, afirmou. Para este ano, que tem boas expectativas, Bellodi acredita que a economia brasileira voltará a crescer em torno de 4%, o que traz um impacto positivo especialmente na geração de emprego. “Faz muita diferença sair do zero para 4%”, afirma.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|