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Extremamente impulsivo, com humor instável, intolerante, irritado e sensível às pequenas rejeições. Essas são algumas características do borderline, um transtorno de personalidade muito confundido com distúrbio bipolar. Pouco conhecido do público em geral, embora esteja cada vez mais mapeado pela medicina, borderline significa algo como “na fronteira”, “no limite”, e pode ser chamado de desvio de traço de personalidade.
Pessoas que sofrem deste problema têm uma variação de humor muito brusca entre raiva e euforia. Reconhecido como um distúrbio grave, o borderline se diferencia do bipolar pelo comportamento sempre exagerado. Para distinguir um do outro, é preciso avaliar a evolução do quadro. “O borderline faz com que a pessoa tenha episódios marcantes de irritação ou interesse, por exemplo. Não existe um padrão normal, ele está sempre alterado”, afirma o psiquiatra e escritor psicoeducacional Gustavo Teixeira.
Hugo Ramón Barbosa Oddone, psicólogo e gestalt-terapeuta, afirma que o transtorno bipolar é geralmente causado por algum tipo de deficiência de sais minerais, como o lítio, que o organismo não gera suficientemente, precisando ser completado por via medicamentosa. “Portanto, o transtorno bipolar pode ser confirmado com um exame clínico de sangue.”
A alteração do comportamento é mais frequente no sexo feminino (quase 75%). Teixeira afirma que o diagnóstico preciso só é possível a partir dos 18 anos, quando a personalidade já está formada. Ele é feito por meio de uma avaliação clínica. Ainda não existe exames laboratoriais para identificar o borderline. O médico acompanha os sintomas e se baseia em informações dadas de familiares, na escola ou no trabalho.
Não existe um agente específico que cause o transtorno, mas acredita-se na origem genética, hormonal ou neurológica. O meio ambiente e os desequilíbrios de ordem afetiva e emocional nos relacionamentos familiares pode ser um gatilho para desencadear a doença.
Quando não tratado, o distúrbio pode gerar muitos problemas devido à raiva inadequada e intensa, com até lutas corporais recorrentes. “Tem horas que a vítima aceita os cuidados e em momentos de crise se torna arredia”, afirma Teixeira. Outra característica é que eles têm dificuldade de se fixar em um emprego, devido à intolerância. “Muitos os veem como uma pessoa louca e que não se controla. Mas o borderline é um problema de saúde, que precisa de ajuda.”
O não tratamento da doença pode resultar até em automutilação e suicídio. “Certa vez, um paciente fez cortes superficiais nos braços. Ele tinha pertubação de identidade e teve o comportamento como forma para chamar atenção”, revela Gustavo Teixeira. O comportamento impulsivo pode ainda gerar gastos irresponsáveis, alimentação em excesso, abuso de substâncias ilícitas, engajamento em sexo inseguro ou direção de forma imprudente. A vítima do borderline também pode ser diagnosticado com outras síndromes, como a depressão e a própria bipolaridade.
Uma notícia boa é que o borderline tem tratamento. Inclui medicamentos, terapia e o apoio de familiares. “O medicamento tem o objetivo de diminuir os sintomas do paciente. Não é um curativo, apenas minimiza alguns sintomas, como explosão, raiva e impulsividade”, afirma Teixeira.
Como nos outros distúrbios de personalidade, outra parte essencial no tratamento é a terapia. “A cognitiva comportamental é usada com mais frequência, pelo sucesso”, afirma o psiquiatra. Segundo ele, a terapia é mais objetiva e foca em técnicas de resolução dos problemas. “Incentiva o paciente a tomar decisões corretas baseadas em comportamentos sadios, por exemplo.”
O tratamento é contínuo. “O paciente melhora os relacionamentos familiares, amorosos e sociais, aprende a lidar com as dificuldades e tem mais qualidade de vida”, afirma Teixeira. A psicoeducação, que se caracteriza por informar ao paciente dados sobre seu diagnóstico, também é válida.
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