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Thomaz Vita Neto
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Milton Ferreira Verderi, idealizador da Confraria do Filme.
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Rio Preto começa a buscar uma trilha alternativa para o cinema, tanto no que diz respeito à produção quanto exibição. E esse caminho passa longe dos blockbusters. A estrada escolhida por alguns dos amantes dessa vertente artística é repleta de obras de menor apelo comercial, mas com títulos de forte expressão, inovação, experimentalismo. Dentre as ações realizadas nesse caminho menos óbvio está a recém-criada Confraria do Filme. A iniciativa quer se dedicar ao “lado B” da sétima arte, exibindo produções que marcaram a história do cinema, mas que nem sempre se traduziram em sucesso de bilheteria ou divulgação massiva.
Quem está à frente da iniciativa é o ator e diretor de teatro Milton Ferreira Verderi, que vai disponibilizar seu acervo de filmes ao projeto. A primeira reunião da confraria foi realizada na última quarta-feira, no Espaço de Arte da companhia de teatro Fábrica de Sonhos, no Jardim Alto Alegre. A intenção, segundo Verderi, é continuar realizando reuniões semanais, sempre às quartas-feiras, a partir das 20 horas, com entrada a R$ 10.
Verderi afirma que tem cerca de 1,5 mil DVDs e mais um extenso arquivo digital que pretende exibir em encontros da confraria. Entre as obras que compõem o acervo estão “Um Cão Andaluz”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí; “Frankenstein” (1910), de J. Searle Dawley; “Decálogo”, de Kieslowski, e até um épico indiano, “Mahabharat”, de 15 horas de duração. “Não tenho nada contra os filmes comerciais, mas é preciso mostrar outras coisas”, diz Verderi.
Segundo ele, a confraria surge também com a intenção de resgatar a memória do cinema e, especialmente, promover a discussão acerca da sétima arte. “É para promover a troca de ideias, questionar, apreciar o cinema do jeito que ele deve ser apreciado.” A confraria também pretende ser um espaço para a exibição da crescente produção audiovisual rio-pretense. O cineasta e professor do curso de pós-graduação em cinema da Unilago, Hunfrey Borges, que participou do primeiro encontro da Confraria, explica que o incremento das produções no setor é determinado pelo baixo custo do cinema digital.
Hoje, com câmeras fotográficas que permitem filmagem em alta definição, é possível fazer bons trabalhos. Segundo ele, enquanto uma dessas câmeras digitais custam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, uma câmera de cinema de baixo custo sai em torno de R$ 60 mil. Borges também integra o grupo de produtores locais. Entre seus trabalhos mais recentes está uma ficção que explora o universo hip hop.
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Edvaldo Santos
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Primeira reunião, ralizada na última quarta-feira:“Apreciar o cinema do jeito que ele deve ser apreciado”
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Produção local
O diretor e ator Ricardo Matioli inicia em março a captação de recursos para a produção de seu primeiro filme. “São José da Bota Azul” vai contar a história de uma família e o destino dela. “Recheado de poesia e com texto direto, a história é contada de forma metafórica e simbólica, fazendo o espectador construir sua própria obra”, explica.
O orçamento para a montagem ainda não foi definido. “Posso fazer com R$ 500 mil ou R$ 50 mil.” A ideia inicial é gravar o filme em uma pequena vila de Rio Preto. A escolha por “São José da Bota Azul”, segundo Matioli, é porque o santo é o padroeiro da cidade e o azul vem com a cor que ajudará a transformar e contar a história. A previsão de estreia é em 2013.
Jef Telles é outro diretor atuante e inquieto. Ele é um dos responsáveis pelo Projeto Mundo Novo Ielar Unilago, que produz curta-metragens com a participação de crianças. Paralelamente, Telles espera finalizar neste semestre de 2012 o projeto “Pazsado”, uma videoarte documental que dialoga com a memória. “É um trabalho experimental.”
Telles ainda está finalizando outro curta-metragem. “É um trabalho de conclusão da pós-graduação de Cinema e Vídeo que fiz. O resultado é uma metáfora do Facebook.” O filme deve ser enviado a festivais. Em parceria com Lucas Pelegrino, Telles ainda prepara um curta, ainda sem título definido, que dialoga com o tempo, por meio de pintores num edifício.
A cineasta Bia Lelles lança em 2012 o curta-metragem “Colheres”, que busca a sensibilidade do olhar feminino com produção principal feita por mulheres.“Conta a história de uma dona de casa e de seu cotidiano simples.” O filme, inspirado em Clarisse Lispector, está em fase de edição e deve ser lançado ainda neste semestre.
Cineasta seleciona atores para filmes
O cineasta Alexandre Estevanato seleciona atores para seus dois novos filmes. A seleção acontece hoje, às 9 horas, na produtora Digital (Rua Américo Gomes Novoa, 711, Jardim Redentor). Serão escolhidos dez atores entre homens e mulheres com idades entre 15 e 80 anos. Os dois filmes serão produzidos paralelamente. Para participar da seleção não é necessário ser ator profissional. “Gosto da ideia de trabalhar com atores amadores, pois não trazem vícios de interpretação para as cenas.” O cineasta pede que os interessados levem documento de identidade e usem roupas leves.
A primeira produção é uma homenagem a um dos ícones do cinema e da comédia nacional, Mazzaropi. “Ele foi um grande cineasta, ator, produtor e roteirista no século 20. Com 32 filmes lançados, alcançou a graça e o apreço do público”, afirma. Com a participação de André Luiz Mazzaropi, filho de criação de Mazzaropi, o filme será um curta-metragem de 15 minutos e tem previsão de lançamento para junho.
O segundo filme é um curta-metragem sobre as Pin-ups (meninas sensuais que levavam os garotos e homens de todas as idades ao delírio na década de 1950. “Trata-se de uma comédia que promete fazer o público rir do início ao fim.” O estreia está prevista para agosto. As duas produções devem percorrer o circuito de festivais de cinema do País. Informações pelo telefone (17) 9201-6854.
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