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Cena do filme ‘Acossado’, de Jean-Luc Godard, um dos protagonistas da “nouvelle vague”: exibição hoje
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Para que o cinema francês chegasse ao atual patamar, de um dos mais dinâmicos em termos de público, número de filmes produzidos e receita gerada, várias películas foram coladas na história, entre as quais as da “nouvelle vague” (ou a nova onda).
O movimento artístico, forte na fervilhante década de 1960, foi marcado pela juventude dos autores e pela vontade de transgredir as regras do cinema comercial, em contraponto com as produções tipicamente hollywoodianas. Françoise Giroud criou a expressão em 1958 na revista “L’Express”, ao se referir aos novos cineastas franceses daquela época e cenário. Pensando nisso, o Sesc Rio Preto exibe gratuitamente cinco clássicos na mostra “1959: O Ano Mágico do Cinema Francês”, de hoje ao dia 30.
Serão homenageados grandes ícones do século 20 - Jean-Luc Godard, com “Acossado” (À Bout de Souffle); François Truffaut, com “Os Incompreendidos” (Les Quatre Cents Coups); Alain Resnais, com “Hiroshima, Meu Amor” (Hiroshima, Mon Amour); Robert Bresson, com “Pickpocket” (Xiao Wu); e Claude Chabrol, com “Quem Matou Leda?” (À Double Tour) - que ainda estão na lista dos mais prestigiados cineastas da história.
Embora todos valorizassem a arte como matéria-prima, cada um imprimiu sua sensibilidade de forma diferente. Godard, por exemplo, é conhecido por produções no estilo “papo cabeça”; Resnais, por seu inconfundível lirismo sobre a memória; Truffaut, pela simplicidade e delicadeza ao discutir assuntos profundos; Bresson. pelo minimalismo; e Chabrol, por sua veia de suspense, que depois enveredaria ao sucesso comercial.
De acordo com a professora de língua e literatura francesa Maria Cláudia Rodrigues Alves, da Unesp de Rio Preto, a “nouvelle vague” está para o cinema assim como a “nouveau roman” (novo romance) está para a literatura francesa.
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Alain Resnais dirigiu no final da década de 50 o clássico ‘Hiroshima, Meu Amor’, escolhido para a mostra no Sesc
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“Ambos refletem um momento de ruptura, de pensar em continuidade ou não, que tomou conta do mundo todo. Esses nomes são antológicos e representam grande impacto na estética cinematográfica do que viria a ser produzido nos anos posteriores”, define. De fato esses resquícios são visíveis, não só naquele país, mas em toda a criação mundial.
Glauber Rocha, o mais politizado de todos os diretores brasileiros, é um dos que beberam dessa fonte em “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969). “Aquela sua frase célebre ‘uma ideia na cabeça e uma câmera na mão’ é puro Godard”, diz Maria Cláudia.
O projeto “1959: O Ano Mágico do Cinema Francês” já percorreu unidades do Sesc de São Paulo, Bauru e Santos, além de cidades catarinenses como Blumenau, Brusque, Itajaí e Rio do Sul, baianas como Vitória da Conquista e Feira de Santana, entre outras. Paralelamente ao projeto do Sesc, Maria Cláudia e a equipe da Unesp pretendem transformar a Première de Cinema Francês, realizada anualmente pela entidade, em um evento mensal.
Serviço
1959: O Ano Mágico do Cinema Francês. Exibição gratuita de clássicos do cinema francês, toda quinta-feira de setembro, às 20h, no teatro Sesc Rio Preto. Mais informações pelo telefone (17) 3216-9300
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