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Edvaldo Santos
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José Jorge e José Roberto na Bernardino tem dificuldades para andar no terminal. Alguns acham que a faixa é para organizar fila de ônibus
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O leitor já prestou atenção em faixas salientes, da cor diferente da calçada, pintadas em toda a extensão do piso público das ruas centrais de Rio Preto? Não estão lá para enfeitar. Estão lá para ser úteis e orientar os deficientes visuais na sua difícil caminhada pelo escuro. Mesmo com a construção do piso tátil no Calçadão de Rio Preto, os deficientes ainda passam por dificuldades. O município aderiu a esse recurso que serve para orientar as pessoas com deficiência visual ou com baixa visão, mas a falta de informação faz com que a população atrapalhe.
E se o deficiente, desorientado, ainda bate a bengala sem querer no transeunte, pode receber um xingamento ou piada pesada. Basta andar alguns minutos pela cidade que é possível encontrar pessoas conversando em cima das faixas, além de cadeiras de bares, mesas e cavalete de propaganda de lojas. Para José Jorge Siqueira, 43 anos, cego há dez anos por uma doença genética, além da falta de conscientização, há falta de informação da Prefeitura para a população. “Muitos não sabem que esse caminho é para nós, e ficam em cima papeando, o que dificulta nossa caminhada. O grande problema é que, além da falta de informação, alguns são sem-educação e acabam brigando conosco, quando por acaso batemos a bengala neles”, diz.
Segundo Siqueira pode parecer inútil para quem enxerga, mas para o deficiente visual este piso é fundamental para sua autonomia e segurança no dia a dia. Ele afirmou que é preciso ter esses pisos sinalizando a proximidade dos orelhões, porque a maioria não tem e quando eles trombam com o equipamento, acabam se machucando. A cabeleireira Nanci Pereira, 60 anos, conhece o piso tátil, porém estava andando em cima dele. “Não costumo andar aqui, é raro. Foi um descuido, mas deveria existir uma placa informando que esse caminho é para os deficientes visuais”, diz.
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Edvaldo Santos
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É o fim da picada: colocar produtos à venda em cima do piso tátil
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O proprietário de uma loja na rua Tiradentes, que coloca todo dia um balcão com seus produtos em cima do piso tátil, sem autorização, não sabia que aquela marcação era para os cegos. Mas disse que agora vai retirar e respeitar essa norma. Além disso, na reforma ocorrida no Centro, o piso tátil foi colocado em lugares estratégicos, porém na rua Bernardino de Campos, entre a Siqueira Campos e Tiradentes, isso não existe.
Não é somente no Calcadão que há falta de informação e problemas para os que não enxergam. No Terminal Urbano, muita gente pensa que o piso tátil é para esperar o ônibus, demarcar uma linha de perigo ou apenas decoração. “Eu achava que era para ficar aqui, pois não corremos o risco de o ônibus bater na gente. Mas tem pessoas que pensam que é para a fila de espera”, diz a vendedora Tereza Marcial, 44 anos.
Ela não é a única desinformada. Existem aquelas pessoas que ao ver um deficiente se aproximando, desviam, mas outros reclamam. É o caso do aposentado Haroldo Gomes, 65 anos, que ficou bravo ao levar uma bengalada inadvertida no pé. “Estou errado, mas eu não sabia e creio que poucas pessoas saibam. Falta informação aqui dentro do terminal e na cidade”, diz.
A falta de informação traz constrangimento para ambas as partes, tanto para a população quanto para o deficiente, que acaba sendo xingado e humilhado. “O pessoal fica esperando o ônibus em cima do nosso caminho e quando vamos andar fica difícil. O duro não é bater a bengala neles, e sim, as humilhações que passamos. Eles dizem ‘vai para lá, cego, aqui é a fila do ônibus’. Na verdade, hoje precisamos ser artistas para driblar tantos obstáculos dentro Rio Preto”, diz José Roberto de Souza, 23 anos, que já nasceu com deficiência visual.
A fisioterapeuta Regiane Pires, especialista em Orientação e Mobilidade do Instituto dos Cegos, explica que faltam várias iniciativas: mais acessibilidade em determinados locais; conhecimento por parte da população de como ajudar um deficiente; conhecimento no código braile; e principalmente, ajustar os semáforos sonoros que não estão funcionando há um bom tempo.
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Edvaldo Santos
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Não adianta apertar: o semáforo não funciona
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Semáforo desativado
Segundo a assessoria da Itamarati e Circular Santa Luzia, o terminal urbano é gerenciado pelo Poder Público, por intermédio da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). As duas empresas informaram que sempre disponibilizam colaboradores em horários de maior movimentação para instruir todos os usuários, inclusive os portadores de necessidades especiais.
A Emurb explicou que para a conscientizar a população sobre as mudanças realizadas com a revitalização do Calcadão, a empresa vai entregar para comerciantes e população uma cartilha informando sobre as obras,
inclusive a instalação do piso tátil e de mais regras de conduta na área central. No Terminal Rodoviário, como não estava nos planos, eles vão ver a possibilidade de produzir um material para informação.
Além disso, sobre estabelcimentos que colocam mesa e cavaletes na calçada, especificamente atrapalhando o piso tátil, haverá uma padronização para não haver problemas com pedestres e deficientes visuais. Sobre os semáforos, a Emurb informou que é de responsabilidade da Prefeitura, por intermédio da Secretária de Trânsito. A Prefeitura informou que o sinal sonoro dos semáforos teve problemas e foi desativado para arrumar, mas não há data especifica para voltar a funcionar.
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