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domingo, 12 de fevereiro de 2012
Bairros Gabriela e Nato Vetorasso: região em transformação
 
  Hamilton Pavam
 
  Com apenas duas décadas de existência, a região do Jardim Gabriela se desenvolve de forma rápida graças a um boom imobiliário que faz florescer três novos bairros

A região que abriga os bairros Gabriela e Nato Vetorasso, na zona oeste de Rio Preto, está em franco crescimento. Com apenas duas décadas de existência, a localidade está estruturada e se desenvolve de forma rápida, com direito a um boom imobiliário. Três novos bairros estão em fase de implantação - Doca Vetorasso, J. Macedo e Mirante, o que vai elevar ainda mais o interesse do rio-pretense pelo lugar. A microrregião é endereço de 14.580 mil pessoas, ou seja, população superior a 70 cidades do Noroeste paulista.

Com essa reportagem, o Diário encerra hoje a série “Meu Bairro é Uma Cidade”. Nos últimos cinco domingos, setores administrativos importantes de Rio Preto, como Solo Sagrado, Eldorado, Antunes/Maria Lúcia e Boa Vista, foram retratados no jornal. A ideia da série foi justamente mostrar que, dentro de Rio Preto, há bairros gigantes, autossuficientes e que pouco dependem do resto da cidade para funcionar no dia a dia. Destacam-se pelos serviços oferecidos à população, oportunidades profissionais e infraestrutura.

A região do Gabriela/Nato Vetorasso também é composta pelos bairros Monte Verde, Antonieta e Aroeiras 1 e 2. Um terreno com 200 metros quadrados custa, em média, R$ 60 mil. “Aqui, não é loteamento popular”, diz o corretor Cícero Paes de Almeida. Os moradores desses bairros têm comércio variado perto de casa e acessam com rapidez escola, creche e Unidade Básica de Saúde (UBS). Só não contam com serviços bancários, disponíveis na avenida Fortunato Ernesto Vetorasso.

Almeida acrescenta que os bairros são procurados por gente que quer sair do aluguel e recém-casados. “90% das pessoas compram os terrenos para construir uma casa e morar. Essa região tem crescido de forma importante.” O comerciante Nei Câmara enxergou no crescimento populacional uma oportunidade e abriu há dois anos um depósito de material de construção no coração do Nato Vetorasso. “Felizmente, há bastante campo para trabalhar. A construção de casas não para.” Câmara destaca ainda que trabalha tranquilo. “Nunca tive qualquer problema.”

  Hamilton Pavam
 
  Abertura de rua no bairro o J. Macedo

Bom para morar

O pedreiro João Moretin, 61 anos, reside no Gabriela desde que o bairro foi iniciado, com ruas ainda de terra, e acha o lugar bom para morar. “De vez em quando tem furto ou roubo, mas são poucos. Não sofremos com o problema da bandidagem.” Para sustentar a própria tese, Moretin faz questão de ressaltar que mora em uma casa que não tem muro nem grades nas janelas. Apesar disso, nunca foi alvo de crime. “Os vizinhos são tranquilos.” Quando está com a agenda livre, o pedreiro vai até a principal padaria do bairro conversar com os amigos.

Comércio próximo facilita

Moradores do Gabriela e de bairros vizinhos têm à disposição boas opções comerciais perto de casa. Pelo menos cem estabelecimentos comerciais, de pequeno e médio portes, suprem as necessidades básicas da população. A rua Comendador Arnaldo Martins Martiníneo, no Nato Vetorasso, abriga parte importante desses estabelecimentos, entre os quais padaria, açougue, lan house, supermercado e depósito de gás.

Nem sempre, no entanto, as lojas estão centralizadas em uma mesma via. Na região é comum a disseminação, entre as próprias moradias, de bares, lanchonetes e lojinhas de roupas. Parte da residência é usada como ponto comercial. Moradores da região formada pelo Gabriela e Nato Vetorasso são obrigados a sair dos bairros apenas para fazer transações bancárias. O serviço mais próximo é encontrado na avenida Fortunato Ernesto Vetorasso.

  Hamilton Pavam
 
 

Com as bênçãos de Expedito

O Residencial Gabriela é a casa em Rio Preto de Santo Expedito, conhecido por interceder em causas urgentes. A paróquia dedicada ao popular santo da Igreja Católica sempre recebe visitas de fiéis e é palco de verdadeiras demonstrações de fé em agradecimento por causas alcançadas. Não raro, fiéis atravessam de joelhos o salão paroquial até atingir o altar. Também já houve casos de pessoas que subiram, da mesma forma, as escadarias da igreja para pagar dívidas com o santo.

“A devoção é antiga e procurada pela população. Basta ver pela cidade a quantidade de faixas em agradecimento a Santo Expedido. Recebemos a visita de moradores de cidades de toda a região”, afirma o padre José Antônio Dária. A paróquia também desenvolve trabalho social no bairro, com a distribuição de cestas básicas, medicamentos e roupas para 26 famílias carentes. O salão paroquial é usado frequentemente para atividades no bairro, como ginástica, distribuição de leite e atendimento psicológico.

Santo Expedito foi um militar romano. Convertido ao catolicismo, não rejeitou sua fé e acabou decapitado por ordem do imperador Dioclesiano. Desde a morte em 19 de abril de 303, em Miletene, Armênia, é venerado como santo. A igreja fica na rua José Elias Abrão, 65, Residencial Gabriela. As missas são celebradas aos domingos, às 8h e 19h30. Também ocorre na primeira sexta-feira do mês (5h), terça e quinta (20h) e todo dia 19 (15h e 20h). Informações: (17) 3217-4355.

  Hamilton Pavam
 
  Isidoro (à esq.) tira o sustento da família há três décadas como carroceiro e recentemente,em razão da demanda, ganhou o apoio do filho Gilteglaben

Família unida faz mudanças unida

Quando se pensa em mudança popular, remoção de entulho ou limpeza em terrenos ou quintais, uma parte da população do Nato Vetorasso e de toda aquela região recorre aos serviços da família Santos, acessada por meio de telefone ou direto nas ruas. Isidoro, 65 anos, tira o sustento da família há três décadas com o serviço. Recentemente, em razão da demanda, ganhou o apoio do filho Gilteglaben, 21 anos, na empreitada. Todo dia circulam pelas ruas em busca de trabalho.

Os dois contam com uma tropa formada por dois cavalos e quatro burros para dar conta dos chamados. A quantidade de animais também se explica por outro motivo, mais nobre. “Não vou colocar o bicho para trabalhar de segunda a segunda. Eu posso fazer isso, eles não”, afirma Isidoro. Para evitar que os animais sejam submetidos a trabalho excessivo, o carroceiro desenvolveu um esquema especial. O cavalo usado para puxar carroça na segunda, por exemplo, descansa na terça e quarta-feira. Fica no pasto, sem obrigação. Assim é feito sucessivamente.

Por frete, cobra R$ 20. Depende da mão de obra. Mudança, um serviço mais caro, pode ser feita em várias viagens. Carrega o que aparecer. É só combinar o valor e analisar a viabilidade técnica de transporte. Antes de sair de casa, alimenta e dá um trato em cada animal. Isidoro nem pensa em trocar os animais por um veículo automotor. “Com os cavalos e burros, não preciso passar no posto de gasolina. São muito mais baratos.”

  Hamilton Pavam
 
  Trecho de terra na rua Otacílio Alves de Almeida, acesso ao Residencial Palestra

Trechos de terra dificultam o trânsito

Entrar e sair do Nato Vetorasso exige dose extra de paciência. Os dois principais acessos ao bairro são devidamente asfaltados, mas contam com trechos de terra. No meio das passagens, são pelo menos 50 metros de via inacabada, o que irrita motoristas e pedestres. Conforme relatos ouvidos pela reportagem, a situação nunca está boa. Nos dias de calor mais intenso, a população sofre com a poeira. Se chove, o barro é alvo de reclamação.

A rua Ademir Schiavinato é acesso ao Antonieta. Além do trecho de terra, o entulho foi despejado pelos cantos. Por esse motivo, mal passam dois veículos ao mesmo tempo. O pedestre também fica sem lugar para caminhar com segurança. “É muito ruim. Atrapalha bastante. O maior problema é que fica estreito. Tenho que passar com meus três filhos”, afirma a educadora física Danusa Almeida, 28 anos.

A outra passagem alvo de protesto dos moradores fica na rua Otacílio Alves de Almeida. É acesso ao Residencial Palestra. O comerciante Lauderlei Lopes afirma que os principais acessos não podem permanecer dessa maneira, sem zelo. “É necessário resolver o problema o quanto antes.” O secretário municipal de Planejamento, Milton Assis, explica que os dois trechos são particulares. “Quando eles forem urbanizados, a Prefeitura vai exigir a pavimentação.”

 
 
 





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