S. J. do Rio Preto - Terça, 9 de fevereiro de 2010 
top
 
 
 
  Página Inicial
  Cinema
  Teatro
  Eventos e Shows
  Galeria de Fotos
  Coluna Social
  Horóscopo
  Diário Imagens
    » E-mail: utilize nosso suporte por e-mail
 
Doce boemia
Bares de Rio Preto mantêm tradição boêmia
  Rubens Cardia  
Encontro reúne “quesitos” da boemia: papo, cerveja e boa comida

Lucas Pretti

A noite de Rio Preto esconde preciosidades fora do circuito padrão Andaló-Represa-Postos-da-Bady-e-da-Brigadeiro. E como há rio-pretenses que sabem disso! O Diário foi às ruas durante a semana para sentir quanto da charmosa e tradicional boemia ainda resiste aos tempos modernos. Sentar em bares com amigos para trocar idéias sobre política, atualidades, relacionamentos, acompanhado de boa cerveja e simples mas deliciosas especiarias, faz parte do hábito de muita gente na cidade. O principal atrativo dos quatro bares visitados é o próprio cliente quem leva: bate-papo. Nada de música alta, carros com som ligado nem muvucas se apertando para conseguir um precioso lugar para sentar. O estilo da boemia é outro, mais tradicional.

A palavra tem origem na região de mesmo nome da Europa, habitada há séculos pelo povo celta. Fazia companhia a eles outro povo, cujas características forjaram o significado atual da palavra boemia. Eram ciganos nômades, membros de tribos errantes com apreço pelo tripé até hoje procurado por boêmios pelo mundo: boa música, boa bebida, boa conversa. Tudo regado pela luz da lua. Em Rio Preto não é diferente. Em qualquer dia da semana a partir de terça-feira há uma opção boêmia para conferir, em circuito que inclui bairros pacatos como a Vila Elvira e dispensa badalação. Os bares não precisam de ações de marketing nem de casa lotada para sobreviver - a propaganda boca-a-boca sustenta os estabelecimentos e seleciona naturalmente os freqüentadores. Um pequeno guia da boemia rio-pretense está publicado nestas páginas. O Diário provou algumas especiarias, sentiu o clima das noites em companhia de amigos e não gastou muito para isso, mais uma vantagem da vida levada de bar em bar. Entre no espírito que o papo está bom e a cerveja, gelada.


Rubens Cardia
Cerveja: Skol - R$ 2,40. Prato principal: Torresmo de panceta - R$ 4,50. Diferencial: Copo sujo (copo de bar com pasta de sal e limão congelada na borda)

>> Kajurú
O boteco escondido entre ruas estreitas da Vila Elvira passou das mãos do lendário Kajurú para os primos Orides Canova Junior e Marcos Aurélio Canova, há pouco mais de quatro meses. A história dos dois com o bar vem de mais longe, da época em que eram freqüentadores. Souberam da venda e arrendaram o negócio, uma forma de preservar a opção noturna diferenciada. Os primos mantêm até hoje o conhecido copo sujo (copo de bar com pasta de sal e limão congelada na borda) e a porção de torresmo de panceta como principais filões da casa. Por dia, cerca de 300 copos levam cerveja à boca dos freqüentadores, que consomem média de seis quilos de carne de porco como acompanhamento. “Já aconteceu de acabarem os copos sujos do estoque”, afirma Junior. Cada pessoa tem o direito de trocar de copo quando a “sujeira” termina e não paga nada por isso.

Na quarta-feira da semana passada, o Diário esteve no bar e viu que o frio atrapalha mas não desencoraja boêmios à procura de cerveja mais gelada ainda. “Aqui nós fazemos terapia de casal, falamos sobre problemas políticos e discutimos atualidades”, afirma a estudante de direito Christiane Caruso, de 32 anos, ao comprovar o viés intelectual da verdadeira boemia. “Além do que esse copo sujo é ‘tudo’”, diz, entre um gole e outro de Skol. O ortopedista Francismar Sanches Lopes Junior, 36, diz que pelo menos toda sexta-feira está no Kajurú, acompanhado por cerca de dez amigos. “Venho aqui há uns dois anos.” A panceta veio rápido e a cerveja não podia esquentar. Por isso, a reportagem tratou logo de experimentar a especiaria (porção generosa) e continuar a visita aos bares boêmios de Rio Preto.
Rubens Cardia
Cerveja: Bohemia - R$ 3,00. Prato principal: Porção de carneiro - R$ 19,80. Diferencial: Localização

>> Carneirinho
História é a marca do aconchegante bar da Vila Aurora, cuja especialidade é o prato de carne de carneiro. “O público moldou a casa com o passar dos anos”, afirma o proprietário Carlos Eduardo Baer, ou Carlinhos. Ele conserva a única foto existente em Rio Preto da demolição da antiga Catedral, no Centro, e tijolos esculpidos com símbolos da infantaria do exército que remetem à Revolução Constitucionalista de 1932. “Comecei com empório e mercearia em 1970 e o público transformou em bar em 1982. O próprio nome foi ‘buscado’ na mesa, com o prato típico da casa”, conta Carlinhos. O carneiro servido no bar é uruguaio e feito com cortes diferentes na carne, que justifica o preço um pouco mais elevado do prato.

O comerciante Antonio Carlos Pizeli, 40, gosta do Carneirinho pelo ambiente. “Venho aqui há nove anos e já sou da casa. Até o CD que está tocando é meu”, afirma. Na hora, era executada a adoniraniana Trem das Onze. O defeito do bar tem justamente a ver com horário. Carlinhos fecha o Carneirinho uma hora após o último trem para Jaçanã. Pela primeira vez no bar apresentado por Pizeli, o também comerciante Gilberto Butinhon, 44, promete voltar sempre. “Gostei muito daqui, da conversa com o pessoal”, diz ele. Ali, o papo é menos intelectual (“Falamos de futebol, da mulher dos amigos”), mas logo corrigido (“Mas conversamos sobre mensalão também”). A porção mais que generosa de carneiro, com acompanhamento de rúcula, farofa, vinagrete, patê de alho, salada de pepino e cenoura, pão e mandioca, empanturrou a reportagem, que mal provou a Bohemia. Só restou a lembrança do freezer marcando -3,6°C. Sim, estava gelada.
Rubens Cardia
Cerveja: Skol - R$ 2,50. Prato principal: Espetinho de alcatra ou queijo - R$ 3,50. Diferencial: Mesas na calçada

>> Paulo
De uns tempos para cá, o proprietário do Bar do Paulo, obviamente Paulo Roberto Gonçalves, 56, tem tido problemas por manter a característica intrínseca ao bar. Fiscais da Prefeitura o amolam com determinações e medidas sobre mesas nas calçadas. Mas ele não liga. “Os fiscais vêm beber aqui depois do serviço. Conheço todos eles”, diz. Paulo está no mesmo ponto há nada menos que 24 anos. Às quartas, quintas e sextas, ele acende a churrasqueira às 17h30 para vender a média diária (exagerada) de cem quilos de carne. São muitos os sabores de espetinhos - carneiro, lombo, alcatra, queijo -, impossível de não farejá-los a dez metros de distância. “Tem que ser eu para pilotar a churrasqueira, senão os clientes não gostam”, diz Paulo.

O gerente de vendas Nelson Camacho, 36, pelo menos toda quinta-feira está no bar. “Venho aqui há mais de cinco anos”, diz. Ele admite que a fidelidade dura um dia por semana. “Vou a outros bares nos outros dias.” Na mesma mesa de Camacho estava o funcionário público José Valdecir Branco, 43, segundo ele acompanhado da esposa “até agora há pouco”. A mesa tinha apenas homens. “Ela vem sempre comigo, também gosta de conversa e bebida”, afirma Branco. Os temas preferidos deles: política, futebol e atualidades do dia-a-dia. “Saio do trabalho e venho para cá”, diz Branco. Os espetinhos de alcatra e queijo “degustados” pelo Diário chegaram e interromperam a conversa. A mussarela endureceu um pouco enquanto posava para as lentes do fotógrafo, mas não perdeu o sabor. Com o queijo funciona da mesma forma que a cerveja: é preciso beber rápido.
Rubens Cardia
Cerveja: Skol - R$ 3,00. Prato principal: Pipi do Pererê (lingüiça fina acebolada) R$ 10,00. Diferencial: Música ambiente exclusivamente com discos de vini

>> Pererê
Aclamado, mas desconhecido. Os apenas oito meses de existência da Toca do Pererê foram suficientes para torná-lo o bar mais boêmio na primeira acepção da palavra: roda de intelectuais e artistas que leva a vida de modo hedonista e livre, bebendo e se divertindo. É isso que há de quarta-feira a domingo no Pererê. O bar não tem garçons, cada um pega a bebida na geladeira ou freezer. “Queríamos eliminar a barreira com o cliente”, afirma o proprietário Durval Costa Filho, 43, o Dinho. O segredo do sucesso do Pererê pode estar na finalidade não comercial que deixa o ambiente conhecido e informal. Dinho é funcionário público durante o dia e abre o bar quando chega do trabalho. “O Pererê começou porque eu e uns amigos queríamos beber cerveja a preço de custo”, diz Dinho. A divulgação boca-a-boca trouxe amigos para o local, que hoje tem vários ambientes. Clientes podem jogar sinuca, sentar no sofá para ler ou assistir à televisão ou sentar nas mesas do lado de fora.

A sensação comunitária do bar começa pela própria calçada, com nomes assinados da maioria dos freqüentadores. Outra peculiaridade é musical. Dinho e os amigos fazem questão de manter um ambiente retrô com discos de vinil e “cenário que tínhamos na nossa adolescência”, diz ele. “Outro dia um rapaz trouxe um CD de pagode para tocar e não deixei. Não pelo pagode, mas pelo CD. Aqui só entra vinil”, afirma Dinho. A propósito, os alto falantes do Pererê tocam os “hinos” da MPB e “outras coisas light”. O enorme Pipi do Pererê, prato muito procurado no bar, chegou à mesa esfumaçando e borbulhando. Suculento, enfim. Depois da semana de trabalho e da cansativa tarefa de visitar botecos boêmios, a solução foi cair de cara. Dessa vez, o acompanhamento foi guaraná gelado. O fígado não boêmio já pedia socorro.

Clique aqui e confira a programação de eventos e shows
   20/10/2009 - Semana da Itália tem mostras e palestras
   20/10/2009 - Mostra traz figuras humanas criadas a partir de linhas
   20/10/2009 - Lançamento oficial da 4ª Bienal do Livro de Rio Preto
   17/10/2009 - Maria Cecília & Rodolfo canta hits do sertanejo universitário
   17/10/2009 - Divulgadas canções escolhidas para Festival Sertanejo
   16/10/2009 - Fernandópolis terá festival de rock neste sábado
   16/10/2009 - Jota Quest é atração desta noite na Expo
   16/10/2009 - Mostra traz figuras humanas criadas a partir de linhas
   16/10/2009 - Sesc realiza festival da diversidade
   16/10/2009 - Festival Universitário de Música define finalistas
   15/10/2009 - Expo recebe dupla João Carreiro & Capataz
   15/10/2009 - Ônibus recebe inscrições para ‘Menina Fantástica’
   15/10/2009 - Fotógrafo do Diário conquista 2º lugar em concurso nacional
   15/10/2009 - Professor lança livro com poemas de rodeio em Mirassol
   14/10/2009 - Luan Santana anima Expo em Rio Preto
   14/10/2009 - Matemática e astronomia divertem público no CICC
   14/10/2009 - Último dia para entrega das obras
   14/10/2009 - Seleção para Menina Fantástica será hoje no Riopreto Shopping
   14/10/2009 - Meninos da Missão Resgate expõem no Centro Cultural
   13/10/2009 - Novo single de Michael Jackson está na internet

Conheça São José do Rio Preto

Grupo Diário de Comunicação
Jornal Diário da Região: Quem faz o jornal | Assine o jornal | Anuncie no jornal
FM Diário:
Quem faz a FM Diário | Anuncie na FM Diário
Site Diarioweb:
Quem faz o site | Assine o Diarioweb | Mapa do site
Revista Vida&Arte: Quem faz a Revista | Anuncie na Revista
©Copyright 2000 - Todos os direitos reservados ao Grupo Diário de Comunicação - São José do Rio Preto-SP Brasil
Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast ou redistribuído sem prévia autorização.
Resolução mínima de 800x600