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De cara nova
Cinquenta quadrinistas recriam visual de personagens da Turma da Mônica
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Capitão Feio ganha novo visual no traço underground do rio-pretense Orlandeli |
Igor Galante
As transformações no universo de Mauricio de Sousa não se encerram com a chegada da turma à adolescência. Está programado para setembro, na Bienal do Livro do Rio, o lançamento de “MSP50”, um álbum comemorativo dos 50 anos de carreira do criador da Mônica. Para o projeto, 50 quadrinistas brasileiros, entre eles o rio-pretense Orlandeli, do Diário,foram convidados para escrever e desenhar com seu próprio traço uma historinha usando personagens criados por Mauricio. A ideia é do jornalista especializado em quadrinhos Sidney Gusman, responsável pelo planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções. Gusman acredita que o livro, além de oferecer outro olhar sobre a obra consagrada do patrão, dá a chance do público conhecer o traço de artistas.
“Muita gente que só lê quadrinhos da Turma da Mônica não conhece esses caras, então vai ser bom para o mercado. Os visuais dos personagens estão ficando sensacionais”, diz. No time há desde nomes consagrados, como Laerte, Ziraldo, Spacca e Fernando Gonsales, a artistas da nova geração ou de menor projeção no mainstream, como Samuel Casal, Jean Okada, Rafael Sica, Fábio Moon e Gabriel Bá.
| Ferdinando Ramos
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| Orlandeli: ‘Maurício é meio que o nosso Disney. Participar desta homenagem é uma honra’
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Os artistas ficaram livres para escolher. Personagens da linha de frente, como Mônica, Cebolinha, Cascão, tiveram quem os escolhesse, mas a maioria optou pelos menos consagrados, como Xaveco, Tina, Rolo, Turma do Penadinho e claro, o Louco. Mas o campeão na preferência foi o Astronauta - que será desenhado por sete artistas diferentes. Gusman tenta entender o motivo. “Acho que por ser o mais próximo que o Mauricio tem de ficção científica”, acredita. Quase todos os artistas convidados dizem ter começado a se interessar por quadrinhos lendo Mauricio de Sousa. “Além de ser uma homenagem ao Mauricio, que marcou o início de muitos de nós, é também a chance de mexer na mitologia dos personagens”, diz Spacca, que vai retratar o Tiranossauro pacífico e vegetariano Horácio já velho, recordando algum momento especial de sua vida. “O Maurício foi a porta de entrada para o gosto pela leitura para muita gente, eu incluído”, reforça Laerte, que optou por retratar o Franjinha e o Bidu. “Eles foram meu primeiro contato com as histórias do Mauricio. Ficava ansioso por chegar a sexta-feira, dia em que, na minha família, rolava uma verba pra comprar gibi.”
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| O exemplar do ‘Sujinho’ feito por Orlandeli
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Com Orlandeli, não foi diferente. “Mauricio de Sousa é meio que o nosso Disney. Seus personagens transcenderam a HQ e já se incorporaram em nossa cultura. Se o menino não toma banho, é o ‘Cascão’. Se come muito, ‘parece a Magali’. Participar dessa homenagem é antes de tudo uma honra.” Orlandeli, que no início da década de 90 chegou a tentar ser roteirista nos estúdios de Maurício de Sousa, vai recriar o Capitão Feio. “Meu trabalho tem um pé no humor sarcástico, típico do quadrinho underground. Queria um personagem que funcionasse bem nesse estilo. Aí comecei a rabiscar o Capitão Feio. Aquela coisa de morar num esgoto e viver cercado por monstrinhos de sujeira parecia a matéria-prima perfeita para uma história no meu traço, que é todo rabiscadão, sujo”, explica o rio-pretense.
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Segundo Sidney Gusman, vários projetos estão sendo bolados para celebrar os 50 anos, como um livro do Bidu (o primeiro personagem de Mauricio), um documentário na HBO, uma exposição no Mube, em São Paulo, a partir de 18 de julho (foi nesta data em 1959 que ele publicou sua primeira tira no jornal Folha da Manhã, hoje Folha de S. Paulo) e o site Máquina de Quadrinhos, onde os internautas terão acesso a personagens, cenários e objetos da Turma para criar e publicar suas próprias histórias. “Até julho de 2010 teremos coisas pipocando”, avisa.
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| Quadrinista Laudo dá uma de Louco e recria personagens da Turma: ‘bom para o mercado’
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