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Literatura
Machado de Assis deixa sua marca na 3ª Bienal do Livro
São José do Rio Preto, 15 de maio de 2008
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Edvaldo dos Santos
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Machado de Assis é tema de reflexão na Bienal do Livro |
Igor Galante
00:48 - Machado de Assis (1839-1908) empresta seu nome ao Salão de Idéias da Bienal do Livro de Rio Preto, é tema de uma mesa-redonda com professores da Unesp marcada para hoje, às 15 horas, e pode ser encontrado em praticamente toda a feira, já que seus livros, relançados em novas e caprichadas edições, estão expostos em diversos estandes. Machado é grande e vale a overdose, mas não teria toda esta atenção se em 2008 o Brasil não comemorasse o centenário da morte deste mulato carioca que, com livros como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Quincas Borba”, colocou-se entre os maiores nomes da literatura universal e certamente o grande nome das letras no Brasil. A mesa-redonda dedicada à obra de Machado é só uma das atividades desta quinta-feira na Bienal, que prevê ainda uma palestra com o escritor Marçal Aquino e apresentações de teatro, dança e música no palco da feira. O Diário também traz na edição de hoje uma entrevista com Frei Betto, que veio participar do Salão de Idéias ontem.
Seu rosto está estampado na entrada do pavilhão que guarda o Salão de Idéias não é por acaso. O ano é de Machado de Assis. Considerado o maior escritor brasileiro por grande parte da crítica, Machado vê seu nome (e sua obra) voltar com força por uma questão de data: 2008 é o ano do centenário de morte do autor eternizado por obras como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”. Nada mais apropriado, portanto, que a Bienal do Livro dedicasse um evento para a reflexão sobre sua literatura. A partir das 15 horas, no Salão de Idéias, os professores do Ibilce Sergio Vicente Motta, Maria Heloísa Martins Dias e Maria Celeste Tommasello Ramos participam de uma mesa-redonda sobre o legado machadiano tendo como ponto de partida um livro lançado por eles em 2006, “À Roda de Memórias Póstumas de Brás Cubas”.
O título é resultado do trabalho do Grupo de Estudos Machadianos (GEM), que começou em 2004 reunindo 10 professores da Unesp de Rio Preto e de universidades particulares da região. O grupo se reunia todos os meses para discutir artigos escritos por cada um a respeito de Machado. Os textos foram apresentados na I Jornada de Estudos sobre Machado de Assis, em 2005, e reelaborados para a confecção do livro, organizado por Motta e Maria Celeste. Para a professora, o ponto mais importante a se discutir sobre Machado nos dias de hoje é a atualidade de seus textos. “Cem anos depois de sua morte, ainda existem pontos a serem estudados, trechos a serem melhor interpretados, relações a serem descobertas...”. A própria professora diz ter notado algo novo ao finalizar, no início deste ano, uma pesquisa de pós-doutorado sobre as referências à mitologia clássica num romance e numa coletânea de contos do escritor carioca.
“Encontrei tantas relações inusitadas... verifiquei, por exemplo, que ele utilizava as referências para transgredir, subliminarmente, regras literárias da corrente anterior, o romantismo, dialogando com a tradição literária ao inová-la”, explica. “A atualidade de que falo diz respeito à ironia corrosiva com que analisa friamente os homens daquela época, levando o leitor a encontrar ecos dos tipos analisados por ele nos dias de hoje”. Para lembrar da data, a Academia Brasileira de Letras, a Unesp e o Sesc, entre outras instituições, programam até o final do ano uma série de eventos como conferências, debates, palestras e exposições. Vai que é tua Machado.
| Lézio Júnior/Editoria de Arte
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Mapa mostra a obra do escritor O Diário circulou ontem pela Bienal para identificar onde está a literatura de Machado de Assis. O estande da Leia Bem dispõe de um “Dom Casmurro”, editado pela Nova Fronteira, por R$ 14,90. A Jotapê traz por R$ 5 títulos da coleção “Grandes Obras da Língua Portuguesa”, como “Quincas Borba”, e pelo mesmo preço “Helena”, pela coleção “Clássicos da Literatura”. A Galeria dos Livros oferece “Contos Escolhidos” e “O Alienista”, da Martin Claret, também por R$ 5. O estande da Livraria Espaço é o que apresenta maior variedade de títulos. As opções vão da coleção Melhores Contos, por R$ 42, Melhores Crônicas (R$ 47), “Por um novo Machado de Assis” (R$ 61,50), ensaio de John Gledson pela Cia. das Letras, e vários da coleção “A Obra-Prima de Cada Autor”, como “Contos Fluminenses”, “Papéis Avulsos”, “A Mão e a Luva” e “Esaú e Jacó”, por R$ 10,50.
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| Edvaldo Santos
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| Hamilton Pereira: da Matemática à literatura infanto-juvenil
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Professor mostra um Machado menino O que você faria se tivesse a oportunidade de voltar cerca de 150 anos no passado e reencontrasse o maior escritor brasileiro quando ele ainda era só um menino? Lino, personagem do romance de estréia do professor rio-pretense Hamilton Luiz Pereira, tem esta chance em “O Melhor Amigo de Machado”. O livro, lançado esta semana na Bienal do Livro, se soma aos vários títulos previstos este ano por conta das comemorações do centenário de morte de Machado de Assis - ainda que o caminho escolhido pelo rio-oretense esteja distante da idéia de biografia ou tese acadêmica. “Trata-se de uma história de ficção infanto-juvenil, divertida e dinâmica, contextualizada em fatos reais do Brasil do século 19, que conduz o leitor a conhecer não só curiosidades sobre a vida de Machado, mas temas importantes como o bullying escolar, o preconceito e o racismo”, diz. Em “O Melhor Amigo de Machado”, Lino, esse menino de 11 anos, é perseguido pelos colegas de classe por conta de algumas coincidências: ele possui o mesmo sobrenome e faz aniversário no mesmo dia de Machado de Assis. A brincadeira o faz ter aversão pelo escritor.
Um evento fantástico na noite de seu aniversário, porém, o lança de volta ao Rio de Janeiro da segunda metade do século 19, onde encontra o autor com a mesma idade que a sua (e problemas semelhantes de relacionamento e aceitação), longe ainda de se tornar um gigante da literatura. O livro é a primeira experiência literária de Hamilton Pereira. Chama atenção o fato de ele ser professor de Matemática. A idéia para o livro surgiu há quatro anos, quando uma colega, professora de literatura, falou da dificuldade em apresentar os contos de Machado a seus alunos da 8ª série. “Apesar de não ser da área de letras, aquilo ficou me incomodando durante o dia todo. No outro dia de manhã, a história do Lino estava na minha cabeça.
A partir daí o desafio foi colocar tudo no livro, com uma linguagem apropriada ao público infanto-juvenil”. Para escrever a história, Pereira viajou até o centro histórico do Rio. Caminhou pelo centro da cidade, em especial pela rua do Ouvidor, ambiente de várias tramas machadianas. Também visitou a Academia Brasileira de Letras, fundada por Machado, e a Casa Rui Barbosa. Apesar de ter planejado o livro há mais tempo, o professor esperou para lançá-lo na bienal para aproveitar este momento em que todas as atenções estão voltadas para a literatura de Machado de Assis. Atualmente, “O Melhor Amigo de Machado” está à venda por R$ 14,90 no estande da livraria Emmanuel.
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