S. J. do Rio Preto - Segunda, 28 de julho de 2014 




 
 
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‘Doença do pombo’ mata 198 na região
  Carlos Chimba  
Alimentados por morador, pombos ameaçam com doenças a população

Andrea Inocente

Um levantamento realizado nos últimos 14 anos pelo Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) revela que 42 pessoas morreram nos últimos três anos, vítimas da criptococose, espécie de meningite que atinge o sistema nervoso. Desde o início do estudo, um total de 198 pessoas vieram a óbito por causa da enfermidade. A criptococose, que também é conhecida como “doença do pombo”, é transmitida pelo fungo Criptococus neofarmans encontrado freqüentemente nas fezes dessas aves. A incidência de novos casos também é alta. O número de doentes cresceu 23,5% desde 2001. Entre os casos registrados, 64% são de moradores de Rio Preto, o restante é proveniente de cidades da região. De 221 novos casos há três anos, o número de doentes contaminados com o fungo saltou para 289 em 2004. Do total, oito foram registrados este ano, sendo que quatro desses indivíduos morreram vítimas da doença ainda neste primeiro semestre.

De acordo com a neurologista e coordenadora do Departamento de Neurologia da Famerp, Elisabéte Liso, nos últimos 14 anos, 198 pessoas morreram após contaminar-se com a criptococose. “O número pode ser bem maior, pois muitas mortes não chegam a ser notificadas ao hospital”, afirma. A doença, segundo ela, estaria intimamente ligada à alta incidência de pombos em Rio Preto e região. “As fezes dessa ave contêm o fungo causador da criptococose, que é transmissível por vias aéreas”, confirma. Outro estudo paralelo da especialista, em parceria com a bióloga Margarete de Almeida Gotardo, do Departamento de Microbiologia da Famerp, realizado no início desse ano, comprovaria a relação entre os doentes de criptococose e as áreas em que são encontrados os pombos.

“De posse da localização das vítimas da doença, equipes de pesquisadores foram até os locais onde os doentes moravam. Na maioria dessas áreas havia pombos. As fezes deles foram recolhidas e examinadas em laboratório por meio de cultura. Foi comprovada a presença do fungo em 90% do material coletado”, afirma. O levantamento realizado pelas especialistas foi a seqüência de um estudo iniciado em 2001, quando foram coletadas amostras de fezes de pombos no centro de Rio Preto - área de grande concentração das aves e imediações do Hospital de Base. Na época, análises também comprovaram a existência do fungo nos excrementos dos animais.

Transmissão
O fungo Criptococus neofarmans também causa meningites, encefalite e hipertensão intra-craniana, uma espécie de pressão alta no cérebro. Apesar de ser encontrado também no solo e no organismo de outras aves, os pombos seriam os maiores hospedeiros, segundo especialistas. A transmissão ocorre unicamente por vias aéreas, ou seja, pelo ar. Em geral, a criptococose ataca pessoas que estão com o sistema imunológico debilitado, como é o caso de doentes de Aids, diabéticos, usuários de drogas, transplantados e idosos. “Esse fungo é eliminado nas fezes das aves, que quando seca favorece sua proliferação, que é transmitida pelo ar. Porém, é comprovado cientificamente que os pombos também podem transmitir outras doenças como salmonela, além de alergias, febres, diarréias e vômitos, além da causada pelos fungos”, diz. A criptococose tem cura, porém, o tratamento demanda intenso combate às deficiências do sistema imunológico. “Como o Criptococus é um fungo oportunista, ele prolifera quando o organismo do doente está debilitado. São raros os casos em que a doença se manifesta sozinha, geralmente ela está aliada a outra como a Aids, por exemplo”, afirma a pesquisadora.

Solução
Uma das formas de diminuir a incidência da criptococose no município e região, segundo a médica Elisabéte Liso, seria o combate ao alto número de pombos existentes no município. “Essa ave não é brasileira, não tem o predador natural por aqui, o que favorece que cada vez mais se multiplique. O grande número de casos da doença é um problema de saúde pública”, diz. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a superpopulação de pombos é da competência da Vigilância Sanitária, ligada à Secretaria de Saúde de cada município.

Contudo, o órgão não se opõe ao abate das aves quando elas representam um risco para a saúde da população, medida regulamentada pelo artigo 37 da lei de crimes ambientais. O pesquisador do Ibilce Arif Cais confirma que os pombos são animais exóticos, que não constam a fauna silvestre brasileira. “Outra lei federal, de número 6.905, de 1998, também dá respaldo a qualquer resolução no sentido de controlar reprodução e superpopulação dessas aves. Ela prevê que pragas urbanas devem ser controladas”, diz.

Prevenção é polêmica há quatro anos
Vários debates sobre os riscos que os pombos representam à saúde pública já foram realizados em Rio Preto, principalmente no final de 2000, quando uma pesquisa do professor Arif Cais, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce/Unesp) de Rio Preto, revelou uma superpopulação das aves no perímetro urbano - 300 mil. Na época, foram cogitadas várias medidas, desde o abate das aves tornando-as alimento para animais carnívoros do Bosque Municipal, até o controle de natalidade realizado por meio de contraceptivos. De prático, hoje, segundo o secretário municipal de saúde, Cacau Lopes, vem sendo realizado apenas um trabalho educativo, tanto em escolas como por meio de folhetos distribuídos à população. O material alerta para a importância de se evitar a alimentação dos pombos, a fim de impedir que proliferem ainda mais. “Os pombos são uma praga urbana no mundo inteiro, principalmente no Brasil por não serem originários do país.

Temos autuado para evitar que a população aumente”, afirma Cacau. Entre as medidas tomadas estão a inserção de telas de proteção em escolas, creches, hospitais e outras áreas de grande quantidade das aves como o Mercado Municipal e fiscalização em relação a pessoas que alimentam esses animais. “Quanto melhor alimentados, mais eles procriam. Daí a necessidade de não alimentá-los”, diz Cacau. Outras ações mais drásticas, como extermínio das aves, estaria fora de cogitação. “Nesse ponto esbarramos na Justiça, que alega ser ilegal o abate”, afirma o secretário. De acordo com o curador do meio-ambiente e promotor público, Ademir Perez, qualquer atitude no intuito de eliminar as aves configura crime ambiental. “Se for comprovado cientificamente a relação entre a criptococose e esses pombos, não farei objeção. Mas acredito, em outras formas de resolver problema como o combate ostensivo aos tratadores desses animais e reforço das campanhas educativas com a população”, diz.

Doença ataca mais no bairro Solo Sagrado
Cerca de 35% dos 167 casos registrados de criptococose em Rio Preto nos últimos 14 anos estão localizados em bairros da zona norte do município. Ao todo, 58 pessoas desenvolveram a doença nessa região, que, segundo dados econômicos e sociais, concentra a maior parte da população de baixa renda e pouca escolaridade na cidade. O Solo Sagrado lidera o ranking de casos da doença. No bairro, 17 indivíduos foram contaminados pelo fungo Criptococus neofarmans, presente nas fezes de pombos. Em segundo lugar, vem o Eldorado com 15 e Parque Industrial com 11 casos. “A zona norte, por ter a maior concentração de pessoas do município, já era esperado que reunisse um alto número de casos. Uma surpresa para a gente, que reflete até uma preocupação, é o bairro Anchieta”, afirma a pesquisadora e neurologista Elisabéte Liso, da Famerp.

De acordo com o levantamento dos casos, a área citada figura na quarta colocação, com o registro de sete casos. Ontem, em uma volta pelo bairro, a reportagem encontrou dezenas de locais de concentração de pombo. Em um deles, na rua Bela Vista, no cruzamento com a avenida 25 de janeiro, uma casa vem servindo como morada das aves, inclusive com ninhos e ovos de pombos. “Já fizemos de tudo para espantá-los, mas não teve jeito. Eles continuam por aqui. Até telas foi colocada no telhado da casa, porém, não resolveu o problema”, afirma a dona-de-casa, Lairce Guaranezi Marta, 50, filha da moradora do imóvel. Outra vizinha, Maria Aparecida Zaguini, 47, acredita que a superpopulação de pombos na Anchieta esteja ligada à alimentação das aves por um homem que percorre diariamente as ruas do bairro espalhando milho no asfalto.

“Uma vez fiquei em frente de casa só esperando ele passar, quando ele jogou o milho para os pombos, eu entrei na frente do carro dele, pedindo para que ele parasse porque estava prejudicando a saúde de todo mundo na rua. Ele me disse que não poderia porque era uma promessa que tinha feito. Até anotei a placa do carro dele, era um Fiesta azul”, afirma a dona-de-casa. De acordo com o promotor e curador do meio ambiente, Ademir Perez, a Justiça tem ciência de três pessoas que fazem a distribuição de comida em bairros de Rio Preto. “O município tem leis para puni-los, basta que a Secretaria de Saúde fiscalize”, diz.

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