S. J. do Rio Preto - Sábado, 25 de outubro de 2014 




 
 
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Útero
Curetagem faz limpeza de abortos e sangramentos
  Lézio Júnior/Editoria de Arte  

Cecília Dionizio

Após a ocorrência de um aborto, seja ele espontâneo ou provocado, é praticamente, indispensável a realização de uma curetagem, procedimento cirúrgico que visa limpar o útero para torná-lo apto a gerar novamente. Diariamente, diversas mulheres passam por um procedimento como este, em algum hospital. Todavia, não são raras aquelas que se assustam, por temer a magnitude da técnica. Porém, o ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a curetagem uterina recebe este nome por utilizar um instrumento chamado cureta, uma espécie de "colher" de cabo longo, na maioria das vezes fenestrada, ou seja, com uma abertura, e de bordas cortantes. “Ele é usado no procedimento cirúrgico, no qual se "raspam" as paredes internas do útero”, diz. O médico observa que a curetagem também pode ser feita em casos ginecológicos e não apenas obstétricos. Cita como exemplo um sangramento não diagnosticado e, nesse caso, serviria justamente para diagnosticar a origem do tal sangramento. O procedimento não exige que a mulher tenha alguma situação específica. “Desde que ela esteja em condições clínicas suficientes para ser submetida a uma cirurgia de pequeno porte”, afirma.

Segundo o obstetra, a curetagem não registra índice de risco de infecção maior que o observado em partos não complicados, desde que sejam observados os preceitos de assepsia de material e de campo cirúrgico. “É claro que procedimentos sujeitos a manipulações prévias, como no caso de tentativas clandestinas de aborto, ou em casos de grande debilidade orgânica, os índices podem ser maiores”, diz. A curetagem também necessita de anestesia e podem ser utilizadas várias, porém Lobão afirma que a raque e a geral são as mais utilizadas. Quando o assunto é risco anestésico, o médico lembra que esses são inerentes a estas modalidades específicas e podem variar desde a cefaléia pós-raqui (no caso da primeira) até o choque anafilático na segunda. “Via de regra, são procedimentos absolutamente seguros e pouco complexos do ponto de vista anestésico, à exceção de casos especiais”, diz. A dona-de-casa M.S.A., 42 anos, relata que ao passar por uma curetagem devido a um sangramento intenso, teve tanto medo que quase desistiu de fazer.

“Na última hora ia voltando para casa, mesmo sangrando, quando pedi explicação sobre o que era isto. Mas hoje, agradeço demais por ter seguido em frente. Afinal, foi graças a isto que me curei”, conta. O médico paulista confirma que a curetagem, em alguns casos, tem essa função quando o sangramento é de causa indeterminada. “A curetagem permite fazer o diagnóstico e às vezes até curar casos de hiperplasia endometrial, pólipos endometriais, miomas subserosos pediculados, entre outros”, diz. O procedimento é tão recorrente em casos de abortos, que de acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), somente em 2004 foram registradas 243.998 internações para realização do procedimento de curetagem em decorrência de complicações de abortamentos espontâneos e/ou sem segurança. Lobão Neto explica que a curetagem é um procedimento médico consagrado, cujas técnicas estão descritas virtualmente em todos os livros de cirurgia ginecológica e obstétrica existentes. No entanto, sua indicação tem evoluído nos últimos anos, em especial com o advento do esvaziamento uterino na gravidez e biópsia de endométrio feita por Aspiração Manual Intra-Uterina (AMIU), bem como da histeroscopia, que permite "ver e atuar" dentro da cavidade uterina através de um aparelho de fibra ótica.

Este método, embora mais recente, já conta com mais de uma década de prática, pois foi iniciado em 1994. Atualmente, é realizado em 24 hospitais e em quatorze estados do Brasil. Todavia, muitos ainda não aderiram por não dispor do aparelho. O ginecologista Jorge Andalaft Neto, professor da Universidade de Santo Amaro (Unisa), em artigo recente declara que é indiscutível a melhoria no atendimento da mulher, desde inserção de novas tecnologias que vão ao encontro a mudanças na atitude dos profissionais da saúde e também dos ginecologistas, frente às suas pacientes. “No caso da técnica aspirativa para o esvaziamento uterino (AMIU), houve, no Brasil, um avanço e uma grande mudança na postura e na rotina de médicos e dos serviços de saúde, sem sombra de dúvida para melhor”, finaliza.

Aspiração manuel tem a mesma finalidade
Desde 1973, a instituição IPAS (International Projects Assistence Services), uma ong dedicada à qualidade de vida das mulheres, distribui instrumentos médicos para aspiração manual intra-uterina (AMIU) e capacitado profissionais e serviços de instituições públicas com atendimento em saúde reprodutiva. A tecnologia AMIU de IPAS tem sido utilizada por profissionais de saúde treinados em diversas localidades em todo o mundo. Segundo a literatura científica, já existem 80 estudos que envolvem mais de 500 mil mulheres, e todos indicam que a aspiração intra-uterina é mais eficaz e segura do que a curetagem. O ginecologista e obstetra rio-pretense Carlos Eduardo Ferreira, da Santa Casa de Misericórdia e responsável pela Saúde da Mulher na Secretaria Municipal de Saúde, explica que a Aspiração Manual Intra-Uterina (AMIU) é de fato um procedimento mais simples, que normalmente pode ser realizado com anestesia local, e até mesmo em ambulatório, a custos bem menores que a curetagem.

Segundo Fernandes, a técnica da AMIU, basicamente, consiste em introduzir uma cânula dentro do útero, na qual é conectada uma espécie de seringa de grandes proporções. Após isto, é feito o vácuo dentro da seringa e a seguir abre-se uma torneirinha (que fica na conexão com a cânula) por onde todo conteúdo intra-uterino é aspirado para a seringa. A técnica tem sido usada para limpar a cavidade uterina de abortos retidos ou incompletos, e também tem indicação para confirmação de câncer de endométrio, infertilidade, sangramento anormal e amenorréia, entre outros. Para o ginecologista a curetagem difere da AMIU por ser um procedimento cirúrgico, mais complexo, que deve ser realizado em âmbito hospitalar com anestesia geral ou outras. “No caso da curetagem, trata-se de uma "raspagem" intra-uterina, realizada com a cureta (uma haste de mais ou menos 30 centímetros, usada para raspar o útero, que vai cortando o tecido)”, explica. Com esse instrumento introduzido dentro do útero o cirurgião realiza manobras para retirar o material intra-uterino (que pode ser, por exemplo, uma gravidez que não deu certo ou para avaliar o tecido endometrial, retirar pólipos etc).

Há casos em que é necessário dilatar o colo uterino para a cureta entrar dentro do útero, algo que a técnica do AMIU não requer. Porém, nenhum dos procedimentos pode ser realizado se não for pelo profissional médico qualificado. Além dos riscos inerentes a um procedimento cirúrgico, que usa a anestesia, o médico explica que a curetagem por aborto pode levar a aderências intrauterinas, perfurações uterinas, principalmente, em abortos com gravidez avançada (mais de 2 meses completos) e sobretudo se for aborto infectado. Porém, mesmo a AMIU sendo menos agressiva e arriscada por usar a anestesia local - menos complicação e sangramento - ainda não é uma prática corriqueira nos hospitais. “A AMIU é pouco utilizada porque, infelizmente, os hospitais não têm o aparelho”, diz. Todavia, segundo o ginecologista rio-pretense a maioria dos abortos precoces (até 2 meses), normalmente, resolve-se espontaneamente, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos. “Salvo abortos retidos de semanas, hemorragias ou abortos infectados”, afirma.

Serviço:
- Abner Lobão Neto, ginecologista e obstetra, da Universidade Federal de São Paulo
- Carlos Eduardo Ferreira, ginecologista e obstetra, coordenador da Saúde da Mulher, fone (17) 3234-7147
- Ipas Brasil - (Organização não-governamental), fone: (21) 2532.1939-site: (www.ipas.org.br)

Saiba mais:


:: A curetagem pode ser realizada para diagnóstico de tumores intra-uterinos (benignos ou malignos). Pode ser realizada para conter algum tipo de hemorragia uterina (principalmente na pré-menopausa) etc.

:: É um procedimento cirúrgico e a literatura médica, em geral, aborda o tema

:: A curetagem para diagnóstico de tumores intra-uterinos não é mais utilizada em grandes centros médicos, pois trata-se de um método ultrapassado. O que se usa é a histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida: procedimento ambulatorial sem necessidade de anestesia, por meio do qual é introduzida uma câmera de fibra óptica acoplada a um sistema de vídeo, que permite visualizar todo o interior do útero. É realizada, então, a biópsia do local exato. Na curetagem a raspagem é feita às cegas

Tanto a curetagem quanto o AMIU têm indicações para:

:: Biópsia de Endométrio
:: Confirmação de câncer de Endométrio
:: Infertilidade Primária e Secundária
:: Sangramento Anormal Uterino
:: Amenorréia
:: Hiperplasia
:: Infecções crônicas do endométrio
:: Monitoração da terapia de reposição homornal
:: Neoplasia intra-uterina
:: Esvaziamento uterino
:: Tratamento de diversas formas clínicas do abortamento

Fonte: Carlos Eduardo Fernandes, ginecologista e obstetra da Santa Casa de Rio Preto e coord. da Saúde da Mulher, da Secretaria de Saúde de Rio Preto

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